A Excelência do Improviso e o Carnaval dos Aloprados

https://i1.wp.com/joseliamaria.com/wp-content/uploads/2013/01/images-34.jpg?w=696O mestre do drama teatral William Shakespeare eternizou uma célebre frase: “ não adianta fazer grandes eventos pensando estar fazendo grandes coisas”. Com esse entendimento o PSOL – Partido do Socialismo e Liberdade, emite sua opinião formal sobre o carnaval de Juazeiro no sentido de refletir de forma pedagógica para que a população tenha mais elementos para se posicionar sobre o evento momesco.

1) A nossa cidade encontra-se em estado de calamidade pública há 2 anos devido à pior seca dos últimos 47 anos e isso inviabiliza administrativamente eventos dessa natureza.

2) Nossa população pode se lembrar muito bem de que vários municípios suspenderam ou reduziram drasticamente os gastos com os festejos juninos;

3) A prefeitura retira de forma arbitrária o carnaval do circuito oficial, sem dar nenhuma explicação convincente à população. Será que a orla seria interditada pelo CREA e pelo Corpo de Bombeiros, pois é notório que nos últimos quatro anos do atual governo não houve nenhum investimento de recuperação, manutenção ou reposição de materiais. Afinal de contas, não havia opção de circuito, já que não temos avenidas ou corredores viários e as poucas avenidas encontram-se esburacadas e intransitáveis.

4) A opção de carnaval no leito de uma BR jogava toda a responsabilidade na conta da Policia Rodoviária Federal. Se o carnaval fosse um sucesso ( e nós torcemos que seja), o mérito seria da Prefeitura. Se houvesse qualquer incidente ou tragédia, a culpa seria da PRF, caso ela tivesse concedido a licença.

5) A lei seca estava revogada? Como incentivar a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas às margens ou no leito de uma BR?

Somos plenamente a favor do carnaval, somos fãs inclusive de algumas atrações que irão se apresentar no carnaval, mas acima de tudo somos a favor da vida e do bom senso.

Neste sentido parabenizamos a PRF, o DNIT, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal por não terem compactuado com a insensatez e o perigo de tamanha improvisação.

Durante a campanha eleitoral chamamos a atenção o tempo todo para a cultura do improviso, que, parece que nesta gestão finalmente virou lei e rotina administrativa. Foi assim com os 80 anos de João, o evento que poderia ter chamado a atenção do mundo, resumiu-se a uma dimensão paroquial; o Edésio não conseguiu ainda cumprir o seu objetivo de ser um Festival Nacional, assim como o Festival da Sanfônica; a Via Sacra perdeu o seu protagonismo e glamour; o Auto de Natal foi reduzido a uma singela decoração; o Carnaval e o São João, festas que fazem parte do patrimônio imaterial de Juazeiro, com o peso de suas tradições centenárias, têm sido submetidos a instabilidades, fruto de caprichos de gestor que não consegue compreender o que isso representa para a cultura de um povo e o impacto econômico que essas negligências proporcionam.

Quanto custou essa improvisação para o bolso do contribuinte? Qual o volume de despesas que foram feitas pelo Município para bancar essa teimosia?

Há algumas décadas atrás, um prefeito de saudosa memória, avaliando a festa do centenário de nossa cidade, fazia a sua “mea culpa” e dizia que no próximo centenário capricharia mais na organização e no planejamento, já que de certa forma havia sido pego de surpresa. Parece que a síndrome da surpresa, prima-irmã do improviso que gera enormes prejuízos para a população está bastante atual e oficializada em Juazeiro.

Desejamos que o povo de Juazeiro, com a sua vocação natural e apesar dos aloprados de plantão, faça um grande carnaval, de paz e alegria!

Juazeiro, 20/01/13.

Paulo José de Oliveira

Presidente do PSOL Municipal de Juazeiro

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