Casos de dengue aumentam em Pernambuco

Pernambuco está perdendo a guerra para a dengue. Como outros cinco Estados, está na contramão do Brasil. Enquanto as demais unidades da Federação registraram queda no número de notificações da doença, Pernambuco viu a estatística explodir 203% nos quatro primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2011. No Recife, o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti também avançou. A quantidade de registros pulou de 1.680 para 7.790. As autoridades responsáveis por conter a doença creditam a explosão de casos ao surgimento, desde o fim do ano passado, da dengue tipo 4 no Estado, que torna vulneráveis as pessoas que já contraíram as outras três formas do vírus.

Os dados constam no balanço do Ministério da Saúde, divulgado nesta quinta-feira (17) pelo ministro Alexandre Padilha. Sergipe, Alagoas, Bahia, Mato Grosso e Tocantins completam a lista dos que perderam a guerra para a dengue.

Entre os seis Estados, Pernambuco é o terceiro com mais casos da doença. A Bahia vem em segundo, com 28.154 registros, apenas 761 notificações de diferença, apesar de ter cerca de cinco milhões de habitantes a mais. O quinto mês do ano ainda nem terminou e o número de pernambucanos contaminados já chega a 35.611, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. O líder da lista é o Rio de Janeiro, abatido por uma epidemia e com 80.160 contaminados.

Pernambuco amargou ainda outros dois aspectos incômodos. Também foi o terceiro a registrar o maior salto percentual, no comparativo com 2011 (203%). Mato Grosso (290%) e Sergipe (237%) estão à frente. Embora o número de mortes tenha reduzido significativamente, o Estado ainda ocupou a quarta posição, com quatro óbitos anotados, ao lado de Minas Gerais e São Paulo. No primeiro quadrimestre do ano passado, foram 15 mortes.

Diretora-geral de Controle de Doenças e Agravos da secretaria, Rosilene Hans, disse que já esperava o salto na estatística. “Na primeira semana de janeiro, isolamos o vírus da dengue tipo 4 na Região Metropolitana do Recife”, contou. Na linguagem técnica, isolamento quer dizer que foi comprovado por teste de sangue a contaminação pelo novo vírus.

“É preocupante porque as cidades da Região Metropolitana, quando a gente compara com as de outras regiões, têm um adensamento maior de pessoas e de casas, produzem mais lixo e possuem problemas em relação à falta d’água, o que aumenta a necessidade das pessoas em armazenar água”, argumentou a diretora-geral.

Gerente do Programa Saúde Ambiental do Recife, Otoniel Barros concorda que o surgimento de um novo vírus tenha sido determinante para o crescimento dos casos na cidade, apesar das parcerias que a prefeitura firmou com o Exército e as igrejas evangélicas. Mas ressaltou que a colaboração da população é crucial para o êxito do combate. “O poder público, em lugar nenhum do mundo, resolve a dengue sem a ajudar das pessoas. No Recife, 80% dos focos estão nas residências”, disse.

Fonte: JC Online

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