Especialista do HDM/IMIP de Petrolina tira dúvidas sobre o parto normal

Em alusão ao Dia da Gestante, comemorado em 15 de agosto, o especialista em medicina fetal do Hospital Dom Malan/IMIP de Petrolina, Marcelo Marques, tira algumas dúvidas relacionadas ao parto normal, considerado o mais benéfico para o binômio mãe-bebê. Confira:
O que é o parto normal?
O parto normal, ou via vaginal, é a forma tradicional de nascimento. É o tipo de parto recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e preconizado pelo Ministério da Saúde. Esse tipo de parto pode ocorrer em hospitais e em centros de parto normal que estejam habilitados. Hoje, se fala muito também em parto humanizado, que ocorre com a presença de um médico ou enfermeira obstetra e um acompanhante, em ambiente adaptado, como é o caso da sala de parto do HDM.
Quais os benefícios do parto normal?
Uma das principais vantagens para a mãe é o menor tempo de internamento e recuperação pós-parto mais rápida. O parto normal também diminui o risco de infecção; o risco de complicações devido à anestesia; o risco de fenômenos tromboembólicos; melhora o funcionamento do intestino; aumenta os níveis de bem-estar; favorece a produção de leite materno; estimula o aumento da produção materna de ocitocina, que promove o vínculo afetivo com o bebê; e o útero volta ao tamanho normal mais rapidamente.  
Quais as vantagens do parto normal para o bebê?
Ao passar pelo canal de parto, o bebê recebe as primeiras defesas através das bactérias maternas. Os bebês que nascem por essa via e que são amamentados no primeiro ano de vida apresentam uma flora intestinal mais rica em boas bactérias, e uma boa flora intestinal ajuda a diminuir as cólicas e previne diarreias. Além disso, o bebê faz o contato pele a pele e fica mais calmo, diminuindo o estresse provocado pelo trabalho de parto.
Qual o maior medo das mulheres com relação ao parto normal?
Acredito que o medo da dor seja o principal. E essa dor do parto pode ser dividida em três fases: dilatação, expulsão do bebê e expulsão da placenta. Mas, atualmente, existem várias possibilidades para aliviar essa dor do parto, como massagens, banhos no chuveiro, exercícios facilitadores, entre outras técnicas de relaxamento, muitas dessas oferecidas pelo Dom Malan. Existem também os métodos farmacológicos, como a anestesia peridural.
O que é episiotomia?
É um corte cirúrgico feito na região perineal. Ocorre durante o parto normal, com a intenção de facilitar a passagem do bebê. Antes, esse corte era feito como rotina. Hoje, porém, a orientação mudou, não sendo esse um procedimento mais tão comum na assistência ao parto natural. Com o correto posicionamento da gestante no parto, normalmente, não ocorrem lacerações ou quando ocorrem são pequenas, podendo ou não necessitar de sutura. 
Uma mulher que fez cesárea pode ter parto normal na próxima gestação?
Se a mulher fez apenas uma cesariana, ela pode, sim, ter a experiência do parto normal. A “restrição” é para aquelas que já tenham passado por duas cesáreas ou mais, não sendo uma contraindicação absoluta. A recomendação é que o intervalo entre a cesárea e o parto normal seja de dois anos ou mais, para que a cicatriz fique mais forte. A mulher deve conversar sempre com o obstetra que a acompanha.
A falta de dilatação é um impedimento para o parto normal?
A falta de dilatação acontece porque nem sempre há a paciência de esperar as contrações atuarem no colo do útero. Existem formas da equipe identificar quando não está ocorrendo o andamento do parto de forma adequada, mas existem medidas que podem prevenir ou até mesmo otimizar a evolução do parto, ressaltando que cada paciente é diferente.
Quais são os principais impedimentos ao parto normal?
Só existem duas indicações absolutas de cesárea: desproporção céfalo-pélvica verdadeira e a apresentação prévia da placenta. A desproporção ocorre quando o bebê não é compatível com a bacia da mãe; e esse diagnóstico apenas pode ser dado quando a gestante já está em trabalho de parto. No caso da apresentação prévia da placenta, o parto normal não acontece devido à oclusão da passagem do bebê.
Como estão as taxas relacionadas ao parto normal x cesárea?
O Brasil tem uma das mais altas taxas de intervenções durante o parto, com mais da metade dos nascimentos ocorrendo por meio de cesáreas. Num esforço para reduzir esses números no mundo, a OMS publicou, este ano, novas recomendações sobre padrões de tratamento e cuidados relacionados a mulheres grávidas, com o objetivo de reduzir as taxas de parto cesariano. As campanhas em prol da redução do número de cesarianas estão relacionadas, inclusive, há redução da mortalidade materna e neonatal. A recomendação da OMS é que na gestação de risco habitual a taxa de cesariana esteja em torno de 10 a 15% e na gestação de alto risco até 35%.
Ascom
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