Grupo coleta assinaturas para a criação do Partido da Mulher Brasileira

Um partido em vias de criação e com um objetivo declarado de “rever o jogo” e fazer com que a participação masculina, hoje predominante nas disputas eleitorais, restrinja-se ao mínimo legal. Assim pode ser apresentado o Partido da Mulher Brasileira (PMB), que tem trabalhado duro para alcançar as 75 mil assinaturas certificadas em cartórios e necessárias à sua oficialização.

De acordo com a legislação eleitoral, as legendas precisam ter pelo menos 30% de candidatos do sexo oposto à maioria que irá concorrer. Essa determinação tornou-se obrigatória na eleição do ano passado e deu dor de cabeça a presidentes de muitos partidos. Em Pernambuco, dez legendas e coligações foram notificadas pela justiça por seu descumprimento à lei. Algumas não chegavam a 10% de nomes femininos na cota. A justificativa era a mesma a todas: faltavam mulheres dispostas a concorrer.

Não à toa a ideia do PMB tem causado rebuliço entre as siglas, especialmente as menores. “Muitas mulheres não querem ser candidatas porque sabem que vão servir apenas para eleger nomes mais fortes. No nosso partido, elas estarão tranquilas quanto a isso”, afirmou a presidente do Partido da Mulher em Pernambuco, Silvana Régis. O estado é um dos nove onde as assinaturas têm sido coletadas.

O partido não apresenta estudos com projeções de quantas mulheres pode ter como candidata, mas a presidente nacional do PMB, Suêd Haid, diz saber bem que a tarefa será difícil e os riscos de não apresentar nomes em alguns locais nas primeiras eleições é considerado. Aposta, porém, no futuro. “Se hoje temos uma presidente mulher, é resultado de uma luta que durou anos e o que faremos será um trabalho de formação política das mulheres”, explicou.

Ponderações

A educadora Carmen Silva, do Instituto Feminista para a Democracia (SOS Corpo), considera válida a postura do PMB de atrair as mulheres para a política partidária. Ela adverte, porém, sobre a necessidade de uma preocupação ideológica que vai além de números. “Parece um bom marketing para atrair mulheres, mas as desigualdades não são superadas apenas com a representatividade. Independente de ser uma mulher ou homem, o importante é ter compromisso com a luta”, disse.

Carmen Silva alertou, ainda, para o perigo da legenda não conseguir inserção suficiente. “Mulheres com tradição ou de famílias tradicionais na política, ou que tenham identificação com outros partidos não deverão migrar”, completou. Para ela, o ideal é a busca da paridade nas disputas eleitorais, independente de que sigla seja. “O que defendemos é que seja lei 50% de candidaturas de mulheres e 50% de candidaturas de homens e isso com uma lista alternada porque aí teremos a igualdade”, resumiu. (Diario de Pernambuco)

 

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