Lula, aos filhos: estou melhor que 90% da população

Independentemente da indignação que continua mantendo, sem se conformar com a prisão a que foi recolhido há uma semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantém-se sereno e ainda consegue fôlego – tal como aconteceu na sexta-feira e sábado (6 e 7/04), em que permaneceu no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo -, para tranquilizar seus interlocutores. Naquelas 48 horas antes de se entregar não foram poucas às vezes em que ele consolou e deu força a amigos mais emocionados.

Aos interlocutores com os quais tem se encontrado, Lula elogia as instalações que lhe dispuseram bem como o pessoal que trata diretamente com ele. Na quinta-feira, ao receber seus três filhos – Fábio, Lurian e Luiz Cláudio -, e o neto Thiago, Lula voltou a agir dessa forma. Chegou mesmo a dizer que está mais bem acomodado que a grande maioria da população. Pediu que não tivessem “dó dele, porque 90% dos brasileiros não têm a acomodação que ele tem”.

Na realidade, nestes primeiros sete dias de Lula recolhido na Polícia Federal de Curitiba, ele só se viu completamente sozinho no sábado e domingo (14 e 14 de abril) dias em que não são permitidas as visitas de advogados. Nos demais dias, um dos seus defensores, sempre marcou presença. Sábado, provavelmente, nem banho de sol – que se iniciou na quarta-feira – ele teve. Chovia na cidade.

Embora isolado e em condições que na sua coluna deste domingo (15/04) Élio Gaspari, na Folha de S. Paulo,  mostra serem totalmente diferentes das impostas em pleno regime ditatorial – “Indo-se para um exemplo brasileiro, Lula está num regime muito pior que aquele vivido em 1969 por Darcy Ribeiro, ex-chefe da Casa Civil de João Goulart. Ele ficou preso no Batalhão de Comando do Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio. Darcy ficava num quarto iluminado e espaçoso. Fazia suas refeições e via a novela “Nino, o Italianinho” com os oficiais. Podia conviver com outros presos e, depois do expediente, circulava no pavilhão onde estava seu alojamento. Pelas paixões da época, Darcy era detestado, uma espécie de José Dirceu de Jango.” – o encarceramento do ex-presidente poderá causar efeito diverso daquele desejado pelos seus algozes.

Leia a íntegra no blog de Marcelo Auler

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