Temer é o nosso Berlusconi, diz André Singer

Em sua coluna neste sábado, o cientista político André Singer fala sobre a decadência do sistema político brasileiro e aponta a conivência de Michel Temer com os esquemas de corrupção denunciados.

Confira abaixo trechos do texto:

“A ex-presidente Dilma Rousseff foi impedida, de maneira ilegítima, como se sabe, pelo “conjunto da obra”. Nunca ficou provado crime de responsabilidade e, muito menos, corrupção. Ao contrário, foi Dilma quem mudou, em 2012, a diretoria da Petrobras, depois implicada na Lava Jato.

O impeachment adquiriu tons de eleição indireta, com o candidato ao cargo, Michel Temer, cabalando votos para chegar lá. Quantos não votaram contra Dilma em nome da moralidade? Compare-se agora a atitude de Temer com relação à diretoria da Caixa Econômica Federal (CEF), acusada das mesmas práticas que havia na estatal do petróleo (favorecimento em troca de recursos). Enquanto Dilma demitiu, Temer faz o possível para manter. Esperemos que o novo estatuto, aprovado nesta sexta-feira (19), impeça o seu êxito.

(…)

Por surpreendente que seja a boa parte do público, ocorreu aqui o mesmo que na Itália. A Mãos Limpas destroçou o sistema partidário e provocou a ascensão de figuras piores. Temer é o nosso Berlusconi.” (247)

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