Quatro deputados do PSB protocolaram pedido, na última quarta-feira, para que o presidente Jair Bolsonaro exonerasse o ministro Sergio Moro imediatamente. O deputado federal João Campos não participou desse debate, que se deu na véspera do feriado de Corpus Christ, mas, na sua avaliação, houve “excessos” na atuação de Moro. “Boa parte da bancada não estava mais presente. A gente não teve oportunidade de falar disso na bancada. Realmente, não sei dizer se seria posição da bancada ou não”, pondera João sobre a solicitação manifestada pelos deputados Gervásio Maia (PB), Marcelo Nilo (BA), Bira do Pindaré (MA) e Lídice da Mata (BA). O parlamentar acrescenta que “as atitudes cometidas pelo ministro Sergio Moro, enquanto ainda era juiz, foram muito graves”. O socialista sublinha: “No meio jurídico, todo mundo sabe que foram cometidos excessos. A gente tem que saber fazer leitura sem paixão, mas olhando a técnica e a técnica foi ferida, o código do processo civil foi ferido, a Constituição Federal, o código de processo penal. Então, é muito grave. Se qualquer advogado tivesse tido uma relação desse tipo e se fosse medido pela régua de Sergio Moro e de seu Dallagnol, estariam presos nos dias de hoje”.
Indagado sobre a situação de Moro no governo, onde o ex-juiz já levou alguns reveses, a exemplo da questão do Coaf e do pacote anticrime, João devolve: “Bolsonaro sabe que Moro é uma ameaça a ele”. Avalia que falta o governo operar no sentido de dar mais musculatura a Moro. “O próprio presidente Jair Bolsonaro, acredito que ele tenha algum receio com o juiz Sergio Moro , porque sabe que é uma figura que pode disputar eleição contra ele lá na frente”, assinala João. Essa interpretação já vinha ganhando corpo em conversas reservadas nos corredores do Congresso Nacional. Como a coluna já registrara anteontem, havia quem avaliasse que o tamanho de Moro no governo começara a ser alvo de fogo de munturo bem antes que diálogos seus fossem vazados. “Acredito que haja um desgaste também pela inexperiência do governo. O governo não tem capacidade de articulação, não conversa. Você já viu alguma coisa na vida dar certo sem você conversar? Você não consegue tocar empresa, uma universidade, não consegue fazer um mandato sem conversar. O governo não conversa. O governo dá grito”, arremata João Campos, que falou, ontem, à Rádio Folha FM 96,7.


