Por Júlio Lossio
Dias atrás escrevi um artigo refletindo e trazendo evidências sobre o risco de instalação de uma usina nuclear em nosso Estado.
Essa semana li um outro artigo que afirma: “A instalação de uma usina nuclear é sinal de progresso”. Então, de volta ao assunto, eu indago: será mesmo? Progresso para quem?
Para as construtoras que executariam uma obra bilionária?
De volta a essa discussão, aproveito o ensejo para trazer mais uma evidência que, ao meu ver, contradiz tal afirmação. Vejamos:
A Alemanha, berço do desenvolvimento tecnológico e reconhecida por seu alto potencial de precisão em tudo que faz, certamente pode ser classificada como um país onde o progresso está presente em todas as suas dimensões.
O país não possui rios caudalosos como os nossos que viabilizem grandes hidroelétricas, não possui níveis de insolação e ventos comparados com os do Brasil e, admitindo ser correto o argumento trazido na matéria supracitada, a energia nuclear deveria está em processo de expansão continuado naquela região.
Contudo, é exatamente o oposto o que ocorre na Alemanha nos dias atuais.
Entre 1957 e 2004 foram instaladas 107 usinas nucleares no país. Entretanto, nos últimos anos, a Alemanha decidiu desativar suas usinas nucleares e agora só 7 usinas estão em operação, devendo ser desativadas completamente até 2022.
Ou seja: enquanto queremos construir usinas nucleares “como sinal de progresso”, a Alemanha desativa as que tem e foca em meios alternativos de geração de energia.
Será que o governo Alemão decidiu abandonar o progresso e planejam voltar aos tempos das cavernas? Penso que não. Ou será que os valores bilionários envolvidos na construção de uma usina estão cegando alguns dos nossos representantes, condenando nosso estado a assumir um passivo ambiental, social e econômico de dimensões incalculáveis?
Peço a você que, ao ler este artigo, faça sua reflexão acerca desse tema que pode comprometer milhões de pessoas por centenas de anos.


