Favorável à proposta “Incluir para Democratizar”, da União dos Estudantes Secundaristas de Petrolina – UESP, Ricardo Santana de Lima, professor do curso de Medicina e membro da Lista Tríplice à reitoria da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF. Considera fundamental o lugar de fala dos estudantes para representar esta demanda, inclusive diante de tantos ataques não apenas local, mas a todas as Universidades Federais do Brasil.
Segundo ele, o pedido é legítimo, uma vez que a solicitação parte de estudantes que lutam pela democratização do acesso ao ensino superior. “Hoje sofremos com as intervenções na Universidade Pública Federal Brasileira e isso é danoso para a universidade e para a própria sociedade. É preciso ressaltar que a sociedade não pode ficar de fora de todo processo que ocorre na instituição, que afinal é dela. Esta, assim como outras questões dependem de uma universidade autônoma e próxima cada vez mais da sociedade ao seu entorno, e não vulnerável à qualquer movimento que não tenha uma representatividade social” destacou Ricardo.
Em entrevista, ele reafirmou seu posicionamento sobre a proposta da UESP, que classificou como muito importante. Tratou a ação dos estudantes na proposta como um componente social fundamental, pois serão estes estudantes que estarão na universidade em pouco tempo. E comentou uma das medidas instituídas na proposta “Incluir para Democratizar”, que visa o aumento de 50% para 60% das cotas de estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas.
“A proposta busca viabilizar a possibilidade de entrada de estudantes nos diversos cursos da instituição. E, ainda que em alguns cursos já se façam presentes os estudantes das nossas regiões, ainda há oportunidades de melhoria. Então seria importante discutir uma estratégia para que assim nós os representemos”, afirmou Ricardo.
Já sobre os impactos imediatos que pressupõe ao curso de medicina, caso a resolução da UESP seja aprovada, ele considera que, para democratizar o ensino é preciso rever a situação local e regional; e como as outras instituições promovem essa política de bonificação; discutir como algumas instituições, ao aderirem ao vestibular, diminuem as possibilidades de acesso aos estudantes de outras regiões. E então, com essas questões levantadas e colocadas no Conselho Universitário, será possível essa proposta evoluir também na nossa universidade.
“Eu acredito que na condição de professor da Univasf, temos uma responsabilidade social. Isso será tratado não apenas para nosso curso, como para os demais, como um cuidado no lidar com as demandas locais. Quanto maior a representatividade, melhor o alcance da universidade no retorno junto a sociedade, com a formação de profissionais cada vez mais vinculados a nossa região. Nós vivemos uma evolução desse processo de democratização, no sentido de interiorização da UNIVASF e de outras tantas universidades federais brasileiras, nos últimos 10-15 anos”, destacou o professor de medicina, Ricardo Santana.
O também membro da Lista Tríplice à reitoria da UNIVASF, finalizou reafirmando que considera significativa a ação dos Estudantes Secundaristas, sobretudo num período difícil não apenas para a UNIVASF, mas para todas as universidades brasileiras.
“Queremos cada vez mais que a sociedade seja nossa parceira nas questões e demandas sociais ao nosso entorno. Que as demandas não sejam apenas de grupos menores não representativos, mas que atuem, como no caso da União dos Estudantes Secundaristas de Petrolina, a favor dos estudantes da região, para ampliar ainda mais os horizontes desta universidade. E também, para que outras políticas possam ser aprovadas, garantindo cada vez mais uma maior inclusão da população negra, indígena, quilombola e dos grupos localmente representados”, reiterou Ricardo Santana.



