Ricardo Banana

Ministério da Saúde deve publicar nota técnica sobre dose de reforço da Janssen nos próximos dias

Na definição científica, segunda dose faz parte do esquema vacinal.

Ministério da Saúde planeja soltar uma nota técnica nos próximos dias para orientar a aplicação de mais uma dose da vacina da Janssen. O documento deve orientar a aplicação, com intervalo mínimo de dois meses, nas 4,81 milhões de pessoas que tomaram a primeira dose no Brasil.

Cinco meses depois, as pessoas devem tomar um reforço com um imunizante que seja, preferencialmente, de outro laboratório, como a Pfizer.

Na definição científica, segunda dose faz parte do esquema vacinal, sendo necessária para atingir uma imunidade satisfatória. O reforço serve para recuperar a resposta imune perdida ao longo do tempo.

“Tem primeira, segunda ou terceira dose no esquema vacina primário. O reforço seria outra coisa. Existe o que nós chamamos de off label (uso fora da bula), que também é correto eticamente. Só que quem traz a responsabilidade somos nós, médicos, quando estamos na relação privada médico-paciente ou na relação pública, no caso, o Ministério da Saúde com a população. Então, a gente avoca a responsabilidade. Fizemos isso com as gestantes, os imunossuprimidos e não há bula que fale que eles precisam do reforço”, disse a secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Melo.

Apesar de não haver pesquisas sobre a segurança e da eficácia de duas doses de Janssen, além do reforço, provavelmente de outro laboratório, especialistas ouvidos dizem que a decisão é positiva e não deve trazer riscos à população.

“Não temos dados suficientes para isso, mas é o que está acontecendo em vários países do mundo (reforço). Haverá um benefício de uma nova dose”, afirma o professor de Imunologia da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do laboratório de imunologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, Jorge Kalil.

O professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, também avalia que não há risco, mas sugere a realização de estudos de fases 1 e 2 para aferir eficácia e segurança: “O FDA e o CDC já recomendam duas doses dessa vacina nos Estados Unidos.”

As entregas de um novo lote devem começar amanhã ou na próxima segunda.

Até o momento, não há um intervalo máximo para tomar essa outra dose. Melo projeta que o ministério deve concluir a entrega de doses suficientes para a cobertura da população que já tomou a primeira na primeira quinzena do próximo mês:

“(Quem se vacinou em junho) pode esperar até 15 de dezembro que não tem problema nenhum. A mensagem que é mais importante para passar para a população leiga pe que é melhor tomar Janssen, mas não é prejudicial tomar outra.”

À medida em que as unidades federativas recebam as vacinas da Janssen, elas já poderão ser administradas na população. Estados e municípios têm autonomia para definir cronogramas de vacinação e podem, por exemplo, escalonar a aplicação por faixa etária.

Dados da projeção de entregas de vacinas do Ministério da Saúde indicavam que a pasta receberia 7,7 milhões de imunizantes da Janssen em novembro e 28,4 milhões em dezembro. A pasta informou, em nota, que seriam 6,6 milhões de doses — uma redução de 1,1 milhão — neste mês e o restante, para finalizar o contrato de 38 milhões, no próximo. Além da segunda dose para quem já tomou a primeira, o volume deve ser destinado ao reforço na população geral, liberado a partir de 18 anos e completou o ciclo de imunização há pelo menos cinco meses.

Secretários e interlocutores ouvidos pelo GLOBO afirmaram que a decisão foi unilateral, tomada pelo ministério sem ouvir os estados. Procurado, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) informou que “ainda que não tenha sido consultado para essa decisão específica, o Conselho apoia as decisões do Ministério da Saúde que tem respaldo técnico”.

Já o presidente do Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (Conasems), Wilames Freire, disse que aguarda a nota técnica.

“No momento, não temos nenhuma dose da vacina Janssen nos municípios para poder atender a demanda anunciada pelo ministério.”

(Folha de Pernambuco).

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