Economia

Fundação Caixa terá foco em qualificação técnica e educação financeira; saiba como vai funcionar

Plano prevê destinar até cerca de 2% do lucro operacional anual do banco para a fundação, conforme os limites legais de dedução fiscal

Se grandes bancos como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil já possuem suas fundações sociais há anos, a Caixa Econômica Federal está perto de ter a sua.

A previsão é de um investimento de até cerca de 2% do lucro operacional anual do banco estatal na Fundação Caixa, dentro dos limites previstos para deduções fiscais, além de outros recursos captados dentro e fora do país. A meta inicial é apoiar mais de 200 projetos por ano.

O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está em tramitação no Senado. A expectativa é que a Fundação Caixa inicie suas ações sociais ainda este ano.

Salete Cavalcanti, assessora estratégica da presidência do banco e componente do grupo técnico que vem estruturando a fundação, explica que a Caixa já tem vários “braços” de ações sociais — como o Fundo Socioambiental (FSA), criado em 2010 — que serão complementados pelo novo instrumento.— A Caixa é uma instituição financeira pública. Por mais que faça entregas de políticas públicas, tem limitações. Por isso, a necessidade de uma Fundação, que terá capacidades muito mais flexíveis de atuação, como a de estabelecer parcerias, e poderá ir onde a Caixa não vai. Sua criação representa um passo estratégico fundamental para ampliar o impacto social histórico que a Caixa tem realizado no Brasil.

Três pilares
Salete afirma que a fundação poderá aproveitar a expertise e a capilaridade do corpo funcional da Caixa, e vai funcionar como articuladora entre diferentes atores de impacto social no país, como governo, empresas e organizações.

A Fundação Caixa vai focar em três pilares: redução das desigualdades territoriais, educação financeira e acesso a oportunidades, e regeneração de biomas e resiliência climática.

O primeiro pilar deve se concentrar em projetos de qualificação técnica em 2.760 municípios selecionados, localizados principalmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, que atingiram menos de 50% do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR), desenvolvido pelo Instituto Cidades Sustentáveis:

— São territórios que precisam de mais apoio para romper ciclos históricos de exclusão, onde existe mais carência, mais necessidades, mais vulnerabilidade territorial. Muitas vezes os municípios brasileiros não conseguem acessar recursos que estão disponíveis para eles por falta de capacitação técnica. Então, vamos auxiliá-los a executar políticas públicas.Já o segundo pilar vai focar em complementar os programas de financiamento e crédito da Caixa, dando orientações financeiras para que empreendedores saibam o que fazer com esse capital.

— A Caixa dá o recurso, mas, via de regra, esses pequenos empreendedores, muitos deles rurais, como pescadores e seringueiros, precisam de mentoria, de orientação financeira e de um acompanhamento. Eles têm domínio do seu processo produtivo, mas têm carência de uma orientação financeira. A Fundação Caixa entra aí — explica Salete Cavalcanti.

O terceiro segmento será voltado para preservação da biodiversidade e mitigação e resiliência climática, com projetos direcionados para a regeneração do Cerrado, voltados para reduzir o impacto climático nas cidades, ou ações que incluem, por exemplo, fogões mais eficientes e a redução do uso de lenha e das emissões.

Corpo funcional
Segundo a executiva, entre os diferenciais da nova fundação estão justamente as áreas de atuação escolhidas, distintas das de outras organizações de bancos.

Salete afirmou que ainda não está definido o número de funcionários da Fundação Caixa. Ela garante que será um corpo funcional enxuto, selecionado mediante processo seletivo, além de processo de elegibilidade para os dirigentes:

— A gente tem uma perspectiva de formar uma rede de mentores, engenheiros, arquitetos, advogados, técnicos da Caixa, alguns aposentados. Então temos uma mão de obra qualificadíssima com fácil acesso para montar essa rede. E temos também o próprio corpo da Caixa que pode ser voluntário, pode trabalhar em nível de voluntariado para a fundação.

Fonte: FolhaPE.

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