Economia

CE consolida papel logístico com seis terminais da Transnordestina

Ceará terá seis terminais da Transnordestina. Destaque para o Terminal Logístico de Iguatu, que projeta operar grãos, minério, combustíveis e contêineres

A Ferrovia Transnordestina, um dos principais projetos de infraestrutura logística do Nordeste, começa a desenhar de forma mais clara seus impactos no Ceará. O estado contará com seis terminais logísticos intermodais, o maior número entre os entes atendidos pela ferrovia. As estruturas devem funcionar como pontos estratégicos de escoamento, distribuição e armazenagem de cargas, ampliando a competitividade da economia cearense e reduzindo custos de transporte para diversos setores produtivos. Os terminais previstos no Ceará estão localizados em Missão VelhaIguatuQuixadáMaranguape, no Complexo do Pecém (TUP NELOG) e em Quixeramobim, onde será implantado um porto seco.

Entre os empreendimentos previstos, o Terminal Logístico de Iguatu (TLI) se destaca por ser o primeiro terminal privado em construção na malha da Transnordestina no Ceará. O projeto é liderado pelo empresário Eugério Queiroz, diretor e sócio do terminal, e vem sendo apontado como um vetor de transformação econômica para o Centro-Sul cearense.

O TLI já recebeu duas operações da Transnordestina. Uma em dezembro do ano passado, com uma carga de mil toneladas de milho e a outra em janeiro deste ano com 946 toneladas de sargo. Uma nova operação com calcário, que estava prevista, acabou sendo temporariamente suspensa. Um dos motivos pode estar relacionada às condições climáticas do início do ano no Ceará, com fortes chuvas. A retomada da operação ainda não tem data definida.

Entretanto, já com as primeiras cargas, o impacto regional já começa a ser percebido. “Esse terminal de Iguatu marca o desenvolvimento para alavancar a região. Empresas têm se instalado por conta disso. Recentemente tivemos a possibilidade de criar uma associação para cortes de gado, devido à chegada de novos frigoríficos na região”, explica Eugério. Um dos frigoríficos mencionados deve ser do Masterboi.

Expansão futura: minério, combustíveis e contêineres

Além da operação inicial, o TLI já projeta uma expansão relevante de suas atividades. O plano é transformar o terminal em uma estrutura ainda mais diversificada, preparada para receber minériocombustíveis (terminal de tancagem) contêineres, três cargas consideradas estratégicas para o futuro da logística cearense.

“Para o futuro, existe o projeto do terminal se tornar ainda terminal para receber outros produtos, entre eles, um terminal de tancagem para combustível, minério e containers”, diz Eugério.

A proximidade da Transnordestina com a região do Matopiba, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, também reforça o potencial do modal ferroviário para o abastecimento energético do Ceará, especialmente com a possibilidade de importação de etanol a partir de polos produtores mais próximos.

Capacidade operacional e alcance regional

Diferentemente do modelo tradicional adotado pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), que permite a contratação de vagões individuais pelos clientes, o TLI aposta em uma atuação mais ampla. A estratégia de Eugério Queiroz é posicionar o terminal como operador logístico completo, combinando transporte, armazenagem, distribuição e até comercialização de cargas.

O TLI nasce com uma estrutura voltada principalmente para grãos e farelos, com elevada capacidade operacional. Atualmente, o terminal pode descarregar até 35 mil toneladas por dia, com possibilidade de receber até 700 vagões, cada um com 50 toneladas. O contrato inicial com a TLSA prevê a movimentação de cerca de 20 mil toneladas mensais de grãos e farelo, com expectativa de redução de até 30% no custo do frete, segundo o diretor.

As obras do empreendimento estão em fase final e devem ser concluídas até o fim de maio. “Possuímos uma moderna instalação, com túneis de esteira de quase cem metros, além de ser um terminal muito bem localizado, podendo atingir o Rio Grande do Norte, Paraíba, regiões do Centro-Sul, Leste e Oeste, além do meio do Ceará.”

Terminal de Combustíveis

Outro terminal de combustíveis está em curso no Ceará. O grupo pernambucano Dislub Equador anunciou uma parceria estratégica com a PetroRecôncavo para utilização de seu futuro Terminal de Armazenamento e Distribuição de Combustíveis, em construção no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE). O investimento de R$ 610 milhões, viabilizado com apoio do Banco do Nordeste e recursos próprios, prevê a entrada em operação em agosto de 2027 e promete transformar o Ceará em um polo logístico de combustíveis, reforçando a competitividade da região.

Fonte: Movimento Econômico.

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