Mudanças no percurso, sistema de pontos e o que mais reprova
Se você está se preparando para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Pernambuco, é importante entender que a prova prática mudou. O Departamento Estadual de Trânsito do estado (Detran-PE) já está aplicando o novo modelo de avaliação, que elimina etapas isoladas como baliza e rampa e passa a priorizar o comportamento do candidato em situações reais de trânsito.As mudanças seguem o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, alinhado às diretrizes nacionais da Secretaria Nacional de Trânsito. A proposta é padronizar o exame em todo o país e tornar a avaliação mais próxima da realidade enfrentada pelos condutores no dia a dia.
Fomos até a sede do Detran-PE, no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, para conferir como está o novo circuito do exame prático. A prova agora é composta por duas etapas integradas: o percurso no pátio do Detran e o trajeto em via pública. O candidato é avaliado de forma contínua, desde o momento em que inicia o exame até a finalização.
O examinador observa o domínio do veículo e, principalmente, o respeito às normas previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Isso inclui uso correto do cinto de segurança, sinalização adequada em todas as manobras, respeito à sinalização viária, atenção a pedestres e ciclistas e postura segura ao volante.
Segundo Renato Hayashi, diretor de operações do Detran Pernambuco, a mudança amplia o foco da avaliação.
“O exame passa a analisar não apenas a execução de uma manobra específica, mas a capacidade do candidato de conduzir com segurança em situações reais, demonstrando comportamento adequado e tomada de decisão responsável”, afirma.Sistema de pontos
Outra mudança importante é o fim das faltas eliminatórias automáticas. A reprovação agora ocorre exclusivamente por meio de um sistema de pontuação.O candidato inicia o exame com pontuação zerada e pode somar até 10 pontos de infrações para ser aprovado. Caso ultrapasse esse limite, é reprovado.
As infrações são classificadas da seguinte forma:
- Infrações leves: 1 ponto
- Infrações médias: 2 pontos
- Infrações graves: 4 pontos
- Infrações gravíssimas: 6 pontos
Entre os exemplos mais comuns durante a prova estão não sinalizar mudança de faixa, que é infração média e soma 2 pontos; avançar sinal vermelho, que é gravíssima e soma 6 pontos; não respeitar a preferência de pedestres, considerada grave e que soma 4 pontos; e excesso de velocidade de até 20 por cento acima do permitido, classificado como médio e que soma 2 pontos.
Condutas que não configuram infração de trânsito, como deixar o veículo morrer, não geram mais reprovação automática. Porém, de acordo com Renato Hayashi, se o veículo estancar quatro vezes, o candidato é reprovado.
Outro alerta importante é do examinador de prova, Amaury Mendes. Segundo ele, é preciso prestar atenção nas sinalizações, tanto no pátio quanto na etapa de rua, para não cometer infrações.
“Dentro do pátio, por exemplo, a velocidade máxima é de 30 km/h. Não se pode trafegar acima e nem abaixo de 15 km/h, que é a mínima permitida. Outra questão é o semáforo. Assim como é infração gravíssima ultrapassar o sinal vermelho, também são adicionados pontos se o candidato parar se o sinal estiver verde”, exemplificou o profissional.
O que mais reprova
Um dos principais motivos do acúmulo de pontos é o uso incorreto da seta. O candidato deve sinalizar todas as saídas de vaga, mudanças de faixa, conversões, ultrapassagens e também ao desviar de ciclistas. Caso a seta desarme ao girar o volante, é obrigação do condutor acioná-la novamente.A nova avaliação também reforça a atenção à convivência com ciclistas. É necessário reduzir a velocidade e manter distância lateral segura de pelo menos 1,5 m.
Na finalização do exame, o candidato deve encostar o veículo em linha reta, paralelo ao meio-fio, colocar o câmbio em ponto morto e puxar o freio de mão antes de encerrar.
Baliza e rampa
A baliza deixa de ser uma etapa isolada e eliminatória. O estacionamento permanece como parte final do percurso, mas o que importa agora é o resultado seguro da manobra, respeitando alinhamento e regras de circulação.O novo modelo também proíbe situações criadas para induzir o erro do candidato. A avaliação deve refletir condições reais de trânsito, sem pegadinhas.
Em breve, será também adotada a autorização do uso de veículos automáticos na prova, além de veículos próprios, mas esse último apenas para a prova dentro do pátio, seguindo a regulamentação nacional.
No circuito da rua, serão apenas permitidos carros com duplo freio para segurança dos ocupantes do veículos e demais pessoas e veículos na via”, alerta o diretor de operações do Detran Pernambuco.
Projeto Tranquiliza
Além das mudanças no exame, o Detran-PE implantou o projeto “Tranquiliza”, um espaço preparado para acolher candidatos antes da prova prática. O objetivo é ajudar no controle do nervosismo, um dos fatores que mais contribuem para reprovações.Renato Hayashi destaca que a iniciativa busca humanizar o processo.
“Muitos candidatos chegam preparados tecnicamente, mas acabam prejudicados pela ansiedade. O Tranquiliza foi pensado para oferecer um ambiente mais acolhedor, permitindo que o candidato demonstre sua real capacidade ao volante”, explica.
A proposta é reduzir a tensão pré-exame e garantir uma avaliação mais justa.
Valores
A taxa da prova prática para as categorias A e B permanece em R$ 447,48.Já os exames de aptidão física e mental e a avaliação psicológica tiveram 25% de redução. Agora, os dois procedimentos somam R$ 180, sendo R$ 80,70 para o exame médico e R$ 99,30 para a avaliação psicológica.
O que muda na prática
Sem baliza e sem rampa como etapas isoladas, a prova não necessariamente ficou mais fácil. O novo circuito exige atenção constante, leitura do ambiente, respeito às normas e comportamento seguro durante todo o percurso.Mais do que executar uma manobra específica, o candidato precisa demonstrar que está preparado para enfrentar o trânsito real com responsabilidade.
