Política

Lula cai no Nordeste porque preço da cesta básica é a maior do país

Presidente promete atacar essa disparidade com o novo programa de renegociação de dívidas que lança nesta segunda (4)

Se já anda em baixa no Nordeste, santuário eleitoral lulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passa a ter mais um problemão para administrar na economia: os preços de itens como alimentação, aluguel, gasolina e gás de cozinha subiram mais nas principais cidades da região que no restante do país, segundo levantamento oficial.Lula promete atacar essa disparidade com o novo programa de renegociação de dívidas que lança nesta segunda (4). O petista, que disputa a reeleição em outubro, tem perdido aprovação no Nordeste, um importante reduto eleitoral do PT, segundo as pesquisas.

Das dez capitais do país com as maiores altas na cesta básica, seis são nordestinas. Embora o conjunto de alimentos básicos seja mais caro em São Paulo (média de R$ 883,94), nas capitais do Nordeste ela registra altas mais intensas este ano. No Recife, subiu para R$ 654,62, alta de 9,82% entre janeiro e março, quase o dobro da previsão de inflação para todo o ano (4,86%) aferida no boletim Focus, do Banco Central.

Em São Paulo, o reajuste médio da cesta básica foi de 4,49%, segundo o Dieese. O feijão-carioca foi um dos “vilões” dessa disparada da cesta básica no primeiro trimestre. Em Salvador, acumula alta de 27% no ano; em Teresina, 24,7%; no Recife, 24%; e, em Belém, quase 50%. É uma combinação de fatores.

O preço do produto em baixa no ano passado desestimulou produtores e reduziu a área plantada para a safra seguinte, diminuindo a oferta. Desequilíbrios climáticos afetaram a colheita. Sem alternativa importada, diferentemente do feijão-preto, o preço do grão preferido dos nordestinos disparou.

Também puxaram o custo da cesta básica para cima carnes, farinha de mandioca e laticínios (com o leite na entressafra). No Recife, a carne já subiu 5,39% neste ano. A farinha de mandioca aumentou 4,38% na capital pernambucana e 13% em Fortaleza.

“É uma alta concentrada em quatro itens, mas muito importantes”, diz Patrícia Costa, economista do Dieese. “Até março, não vimos efeito da alta dos combustíveis sobre os preços dos alimentos, talvez por conta das políticas (de subvenção) feitas. Vamos ver como será em abril, porque a alta do diesel encarece o frete e se transfere para outros preços”, acrescentou.Desde o início do conflito no Irã, no fim de fevereiro, o preço médio de revenda da gasolina ao consumidor no Nordeste subiu de R$ 6,28 para R$ 6,93 o litro, alta de 10,35%, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). É a maior variação entre todas as regiões do país no período, assim como no diesel: 26,25%. A estrutura produtiva e a logística explicam por que o Nordeste sofre mais quando há choques desse tipo, afirma Isadora Osterno, pesquisadora do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste. “As cadeias de produção são mais caras no Nordeste. A gasolina, por exemplo, chega mais cara e a questão logística tem impacto relevante para a região”, acrescenta.

Fonte: FolhaPE

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