Em meio a debate internacional sobre o sistema, região concentra alguns dos estados com maior uso da ferramenta
O Pix consolidou sua posição como principal meio de pagamento do país e registrou crescimento de 49% no último ano, alcançando a marca de 7,37 bilhões de operações mensais. Os dados mais recentes do Banco Central mostram que o sistema já movimenta um volume muito superior aos meios tradicionais de pagamento. Para efeito de comparação, os boletos bancários somam cerca de 327 milhões de emissões por mês, o equivalente a menos de 5% do total de transações realizadas via Pix.
No Nordeste, a presença da ferramenta é ainda mais expressiva. Levantamento do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGVCemif) aponta que Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Ceará estão entre os estados com maior proporção de usuários do sistema no país, refletindo o avanço da digitalização financeira na região.
O crescimento também aparece nos números do mercado regional. Em 2024, o Banco do Nordeste movimentou R$ 87 bilhões em transações via Pix, alta de 38% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram realizadas mais de 190 milhões de operações, reforçando a importância da ferramenta para consumidores, empreendedores e empresas.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), Rodrigo de Abreu Pinto, o Pix se transformou em uma infraestrutura estratégica para a economia nacional. Segundo ele, o sistema ampliou a inclusão financeira ao permitir que milhões de brasileiros passassem a utilizar serviços digitais de pagamento de forma rápida e acessível.
“O Pix se consolidou como uma infraestrutura pública essencial ao incluir cerca de 70 milhões de brasileiros no sistema financeiro e transformar a forma como o dinheiro circula na economia. Hoje, o sistema atende aproximadamente 96% da população adulta”, afirma.
O tema ganhou ainda mais destaque após a abertura de uma investigação comercial pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em meio ao novo pacote tarifário anunciado pelo presidente Donald Trump. Entre os pontos analisados pelos norte-americanos está o papel desempenhado pelo Banco Central na operação e regulação do Pix.
Para Rodrigo de Abreu, a crítica desconsidera o modelo adotado pelo Brasil. “O Pix não foi criado para substituir a iniciativa privada, mas para funcionar como uma infraestrutura aberta sobre a qual bancos, fintechs e empresas de tecnologia podem desenvolver novos serviços e soluções”, destaca.
Enquanto o Pix amplia sua participação no cotidiano dos brasileiros, o mercado de cartões também segue em expansão. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) projeta crescimento entre 9,5% e 11,5% no volume transacionado por cartões de crédito, débito e pré-pagos em 2026, superando pela primeira vez a marca de R$ 5 trilhões em movimentações anuais.
A popularização dos pagamentos por aproximação e o avanço da digitalização do consumo ajudam a sustentar o crescimento do setor. Além disso, dados da Abecs mostram que o índice de fraudes caiu 23,8% nos últimos três anos, fortalecendo a confiança dos consumidores e das empresas nesse meio de pagamento.
O cenário indica que Pix e cartões devem continuar coexistindo em um mercado cada vez mais digitalizado, oferecendo diferentes soluções para consumidores e empresas e ampliando a eficiência das transações financeiras no país.
Fonte: FolhaPE


