Imunização vacinal continua sendo forma preventiva mais eficaz
O sarampo já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo inteiro. Dados do Ministério da Saúde indicam que, atualmente, o Brasil tem dois casos confirmados da doença, sendo um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. O primeiro está associado a viagem internacional. Já o segundo caso tem fonte de infecção desconhecida e ausência de registro de vacinação, o que representa um grande desafio para a saúde pública.Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, porém somente 77,9% completaram o esquema vacinal na idade correta. Os imunizantes contra a doença são as vacinas dupla viral, tríplice viral e tetra viral. A tríplice não é indicada a mulheres grávidas não vacinadas ou com esquema incompleto. Elas devem receber o imunizante no período pós-parto (puerpério). Os principais sintomas da doença são tosse seca, irritação dos olhos (conjuntivite), nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso.“O sarampo é predominantemente uma doença da faixa etária infantil, mas deve ser evitada pela vacina. Quando a infecção ocorre na idade adulta, a doença tende a ser mais grave, evoluindo para uma pneumonia, encefalite viral ou otite. Se o paciente tiver doenças crônicas ou for comórbido, isso pode descompensar essas comorbidades, agravando o quadro clínico”, diz o médico clínico do Hospital Jayme da Fonte, Charley Vaz.
Contágio e sintomas
A transmissão do sarampo pode acontecer por via aérea, ao tossir, espirrar, respirar ou até mesmo falar. Um paciente infectado pode transmitir a enfermidade para 90% das pessoas próximas que não estejam vacinadas. Nos primeiros cinco dias, é normal que apareçam manchas vermelhas no rosto do paciente e atrás das orelhas. Logo em seguida, as marcas se espalham pelo corpo. A persistência da febre pode indicar agravamento do quadro. Ao perceber os sinais, procure atendimento médico imediatamente.
“A dose do reforço precisa ser avaliada. No caso de pacientes entre 20 e 29 anos, se o esquema vacinal estiver incompleto, será preciso reiniciar ele com intervalo de 30 dias. Quem tem acima dos 30 anos, faz somente uma dose e a partir dos 50 anos, observa-se necessária a vacinação. Pessoas imunocomprometidas devem seguir orientação médica específica”, acrescenta ele.
Brasil sem surto
Atualmente o Brasil não registra surto da doença. Em novembro de 2024, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a recertificação de eliminação da circulação epidêmica do sarampo e mantém, até hoje, o status de nação livre da doença. Pernambuco não tem casos desde 2021.Países da Copa do Mundo em risco
Conforme indica o Ministério da Saúde, países-sede da Copa do Mundo 2026 (México, Estados Unidos e Canadá) registram aumento de casos de sarampo. Concentram cerca de 70% dos casos registrados mundialmente. Charley Vaz frisa que a vacinação é o método preventivo mais eficaz existente, principalmente para quem deseja viajar para algum país que sofra surto da doença. A imunização pode barrar a reintrodução do vírus no Brasil.“Só através dela [vacina] que há, de fato, prevenção contra o sarampo, mas em ambientes fechados a uma pessoa que tem ou está com sarampo, deve-se ter uma distância de pelo menos dois metros. O vírus circula pelo ar por aproximadamente duas horas. Também é importante higienizar as mãos”, finaliza ele.
