Saúde

Julho Amarelo: câncer ósseo atinge crianças e tem sintomas confusos

Saiba quais os sinais de alerta para procurar ajuda médica

O mês está chegando ao fim, mas o alerta da campanha nacional Julho Amarelo para prevenção do câncer nos ossos continua.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cancerologia, esse tipo de câncer equivale a aproximadamente 2% do total de casos no país. Apesar de raro, o cenário reforça a necessidade de atenção contínua aos sintomas e à prevenção.

Isso ocorre pois, quando os sintomas aparecem, é fácil confundi-los com outras condições.

Foi o caso do estudante Jessé Castanheira, que aos 14 anos relatou sentir fortes dores no joelho. Sua mãe, Cristina Castanheira, pensava ser uma lesão comum pela prática de esportes, mas notou que havia algo errado quando participaram de uma festa junina.

“Ele não quis brincar, não comeu e eu percebi que tinha algo errado com meu filho. Procurei atendimento e fiquei sabendo, por meio de uma tomografia, que era uma lesão tumoral. E eu não podendo chorar na frente dele, eu ia para o banheiro chorar. A sensação de impotência… foi a única vez que, como mãe, eu me arrependi de ter tido os filhos, porque a maternidade foi a minha maior realização. Mas ali eu percebi que não era suficiente para proteger Jessé”.

Resistindo ao sofrimento pela notícia, Cristina recebeu encaminhamento da equipe médica.

“E aí o médico disse, talvez não seja maligno, mas vamos para o encaminhamento: o melhor hospital para senhora ir é o Into [Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad]. E ali a gente chegou e o doutor olhou e já fez a biópsia. E quando eu recebi o diagnóstico de lesão maligna e bastante agressiva, grau 4, e sem dúvida foi um diferencial onde eu estava, com quem eu estava, com quais profissionais eu estava. E ali eu adquiri forças para lutar e viemos até agora, e graças a Deus estamos chegando à cura”.

Graças ao diagnóstico precoce, Jessé não precisou amputar a perna, deu início ao tratamento e voltou a andar depois de um ano.

Atenção a crianças e adolescentes

tipo mais frequente de tumor é o osteossarcoma, condição maligna e agressiva que costuma aparecer em ossos largos das pernas e braços, acometendo, em sua maioria, crianças e adolescentes em fase de crescimento. O chefe da Oncologia Ortopédica do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, Walter Meohas, explica que é preciso diferenciar uma eventual dor causada pelo crescimento de algo mais grave.

“O sinal inicial é uma dor local e um aumento de volume. Mas o pai deve ficar sempre atento à dor persistente. Se a dor for persistente, mesmo que não haja aumento de volume, esse paciente deve ser radiografado no intuito de se fazer um diagnóstico diferencial entre um tumor e uma contusão, uma pancada, qualquer coisa dessa forma”.

Reforçando o alerta do Julho Amarelo, o oncologista conta que, nestes casos, o tempo é crucial.

“Até ter um diagnóstico final, após a biópsia, é um intervalo de tempo precioso. Normalmente demora 8 a 10 dias. Então o tratamento deve ser iniciado o mais breve possível. Portanto não há uma janela ideal. É o mais rápido possível”.

O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica e exames de imagens. Em casos de suspeita da doença, a confirmação vem por meio da coleta da biópsia. Já o tratamento depende do tipo, tamanho e localização do tumor, variando desde a radioterapia até a cirurgia para retirada da lesão.

Fonte: Radio Agência.

Compartilhe: