Segunda rodada da pesquisa realizada pelo IPESPE em parceria com a Folha de Pernambuco aponta que saúde e segurança seguem como temas prioritários para os pernambucanos
A segunda rodada de pesquisas do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), realizada em parceria com a Folha de Pernambuco, reafirmou que saúde e segurança seguem como temas prioritários para o eleitorado pernambucano. De acordo com o levantamento, 67% dos entrevistados mencionaram saúde como o principal problema do estado, uma oscilação de 1% em relação à última sondagem, divulgada em junho, quando o tema contabilizou 66% das respostas.
Já segurança aparece como o segundo tema mais citado. O tópico saiu de 30% para 33%. Outro assunto destacado pelos pernambucanos é a educação, que registrou 30% das menções nas duas pesquisas. Outras áreas lembradas foram emprego, com 23% (tinha 22%), e estradas, com 9% (tinha 10%). Já inflação e custo de vida e corrupção mantiveram os mesmos 7% do levantamento anterior.
Em seguida, figuram os temas fome e miséria, com 6% (tinha 6%); esporte e lazer, com 2% (tinha 1%), e agricultura, com 1% (tinha 2%). O assunto habitação manteve os mesmos 2%. Já 1% dos pesquisados respondeu “nenhuma dessas ou outra”, enquanto 2% “não sabiam ou não responderam”.
Recorte
O levantamento também revelou recortes de gênero, idade, grau de instrução, renda e localização geográfica. Na saúde, por exemplo, a pauta foi mais lembrada pelo público feminino (69%), por jovens de 16 a 24 anos (72%), pessoas com até dois salários mínimos (68%) e moradores das áreas da periferia (72%). Já a segurança foi mais mencionada por pessoas de 45 a 59 anos (37%) e a partir de 60 anos (37%), com Ensino Superior completo (39%), que recebem mais de cinco salários mínimos (38%) e residentes da capital (45%).
Na educação, o recorte registrou um equilíbrio maior. No gênero, as mulheres contabilizaram 30%, enquanto os homens somaram 29%. Na idade, jovens de 16 a 24 anos são maioria numérica (32%). No grau de instrução, a pauta foi mais lembrada pelos entrevistados com Ensino Médio (33%). Na renda, pessoas que ganham até dois salários mínimos e as que recebem mais de cinco têm 31%, cada. Na amostra geográfica, periferia (31%), capital (30%) e interior (29%) também assinalaram percentual parecido.
Análise
Em relação à saúde, o cientista político e economista Sandro Prado explica que diversos fatores influenciam para que o tema seja mais lembrado por jovens, pessoas de baixa renda e mulheres.
“Hoje as pessoas estão mais atentas na importância da saúde preventiva, de fazer exames de rotina. No recorte de gênero, as mulheres não se preocupam apenas com a sua saúde, mas com a saúde do próprio marido, com a dos filhos, da família, porque, culturalmente, essa função é atribuída a elas”, detalhou.
Já na segurança, Prado justifica que a maior concentração populacional do estado na Região Metropolitana do Recife (RMR) colabora para maiores índices de violência na área do que no Interior.
“Quanto maior a concentração de pessoas, que é o caso da Região Metropolitana do Recife, é mais violento. Nas cidades interioranas, a violência é um pouco diferente da capital. Não é essa violência truculenta de rua, de assalto ou de furto”, afirmou.
Projeção
Para Sandro Prado, o teor das campanhas dos candidatos ao governo deve focar no legado das gestões, como são os casos da governadora Raquel Lyra (PSD) e do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), e em demonstrar capacidade técnica para solucionar os problemas.
“Hoje, talvez, as eleições não vão estar muito focadas apenas no discurso, mas justamente na capacidade dos candidatos de convencer o eleitorado de que eles têm essa capacidade técnica e sabem como melhorar os serviços públicos.”
A pesquisa ouviu 1000 entrevistados pernambucanos de 22 a 25 de julho de 2026. O intervalo de confiança da pesquisa é de 95,45% e a margem de erro é de 3,2% pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os protocolos BR-08707/2026 e PE-00297/2026.

