Saúde

Adesivo inovador pode tratar câncer de pele de forma menos agressiva

Tecnologia foi desenvolvida pela Unicamp

Um produto inovador contra o câncer de pele não melanoma, o de maior incidência no Brasil, pode tornar o tratamento dos pacientes menos agressivo e mais seguro.

A pesquisa é desenvolvida na Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas, e os primeiros testes em humanos mostram resultados promissores.

Hoje o tratamento mais comum é a cirurgia para retirada do tumor, o que pode deixar cicatrizes profundas, principalmente em áreas sensíveis como rosto e nariz.

O novo composto combina um metal e um anti-inflamatório. A oncologista da Unicamp Carmen Lima explica como funciona a tecnologia.

“O novo tratamento, ele consiste na administração de um complexo formado por um metal, que é a prata, com um anti-inflamatório, que é a nimesulida. Ele é colocado em uma membrana, que é como uma gelatina, e esse complexo prata, nimesulida, gelatina é coberto por um adesivo. Tudo isso é colocado sobre o tumor de pele do paciente. Então, é como se fosse um band-aid colocado sobre o tumor. Esse curativo, ele é trocado por um novo a cada dois dias e a duração total do tratamento é de três semanas.”

O curativo é inovador porque libera o medicamento de forma controlada e contínua. A médica fala também sobre outras vantagens.

“O complexo não é removido com os movimentos do dia a dia, como as lavagens de mãos, e não atinge áreas de pele normal. Então, ele dá mais segurança para o paciente, para que o tratamento seja feito, de fato, apenas na região comprometida pelo tumor.”

O tratamento em teste causa poucos efeitos indesejáveis, como queimaduras e irritação na pele. E é indicado apenas para tumores superficiais da pele.

O objetivo com a nova tecnologia é tratar o câncer sem a necessidade de procedimentos invasivos em áreas sensíveis, como explica Carmen Lima.

“É muito comum que esses tumores sejam vistos no nariz e nos lábios. E a ressecção do tumor por cirurgia pode levar parte do nariz ou parte dos lábios, causando alterações estéticas e, principalmente, alterações funcionais, como comprometimento da fala, que depende da integridade dos lábios. E assim, para tumores maiores, a cirurgia pode, sim, ser considerada um procedimento agressivo.”

O composto também pode representar uma alternativa de baixo custo para o SUS.

“O novo tratamento, ele tem potencial de custar menos do que a ressecção cirúrgica, que envolve vários gastos, como contrato de cirurgiões qualificados, com o funcionamento de sala cirúrgica, com a aquisição de equipamentos específicos, etc. E, certamente, ele terá custos muito menores do que a imunoterapia neste momento.”

Os testes em humanos continuam ao longo deste ano e os resultados ainda vão passar por avaliação da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, antes de uma eventual inclusão no SUS.

Segundo o Inca, o Instituto Nacional de Câncer, 220 mil novos casos de câncer de pele são registrados no Brasil por ano.

E, segundo os especialistas, a prevenção continua sendo fundamental: evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia e usar protetor solar ajudam a reduzir os riscos da doença.

Fonte? Radio Agência.

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