Política

Bancada do prefeito derruba requerimento dos vereadores da oposição propondo “Audiência Publica Sobre Saneamento”

Bancada do prefeito derruba requerimento dos vereadores de oposição propondo audiência pública sobre saneamento de Petrolina; Vereadores de Petrolina querem a retomada e a  autonomia   dos  serviços de água e esgoto sobre a gestão do município.

Com 12 votos contra 5, os vereadores da situação representeantes do “Governo Novo Tempo”  derrubaram, na sessão ordinária desta quinta-feira (21), o requerimento da bancada de oposição que solicitava a realização de uma audiência pública para discutir sobre a viabilidade e conveniência do processo de municipalização e/ou privatização da rede de saneamento de Petrolina, bem como da falta de investimentos no município e os transtornos causados à população pelo desserviço prestado da Companhia de Saneamento que atua no Estado.

Após pedir destaque ao requerimento 027, o líder do governo, Aerolande Cruz, pediu que todos os vereadores da situação rejeitasse o pedido da oposição de realizar a Audiência Pública.

Ao defender a proposta do requerimento, Paulo Valgueiro, líder da oposição, explicou que “a população de Petrolina não teve a oportunidade de discutir e entender como é o processo de municipalização e privatização”, e pediu ajuda dos colegas vereadores para dar oportunidade à população de Petrolina conhecer o projeto do Executivo municipal, de envolver os principais atores desse processo e esclarecer dúvidas sobre o processo da rede de saneamento do município. “Esse projeto do prefeito é uma incógnita que foge do conhecimento da população, estão apresentando como se fosse de municipalização quando na verdade abre concessão a uma empresa privada, apresenta modelo de privatização, quando entrega concessão a iniciativa privada. Porque vetaram a Audiência Pública? Que medo é esse de dar voz a população? Nós temos interesse de discutir com a população de Petrolina e com todos envolvidos neste cenário”, ressalta Valgueiro.

O vereador Gilmar dos Santos disse mais: “esse problema do saneamento atinge toda Petrolina, que sofre com o direito de saneamento negado. Essa Casa deve ter o compromisso com o debate para esclarecimento à população. Nós queremos debater e apresentar uma proposta mais viável para a população, não podemos ser irresponsáveis de negar a população a oportunidade do debate”, disse.

O vereador também de oposição Elismar Gonçalves chegou a pedir a sensibilização dos colegas vereadores para aprovação do requerimento. “Essa Casa tem o dever e obrigação de oportunizar a população o conteúdo do projeto apresentado pelo Executivo, a população de Petrolina precisa entender o destino do saneamento da cidade”.

Domingos de Cristália arrematou ao dizer que “a situação derrubou o direito da população conhecer o projeto do Executivo”.

Mas a vereadora Cristina Costa além de fazer severas críticas ao comportamento autoritário e antidemocrático da Casa Plínio Amorim, levantou outro questionamento. De que a bancada de situação está cerceando a autonomia do Legislativo. “É prerrogativa do Legislativo fazer suas audiências. Nesse processo precisamos conhecer a fundo como funciona uma municipalização e uma privatização. A gente não pode rasgar nossa autonomia e engolir um projeto pronto enviado pelo Executivo municipal sem o conhecimento e debate com a população, maior interessada na melhoria dos serviços prestados. Os vereadores de situação estão tirando da população o direito ao debate”, frisou e mandou recado direto aos vereadores de situação: “vistam a camisa do legislativo, foi para defender o povo que todos aqui ganharam a eleição e aqui estão. Isso aqui não é puxadinho da prefeitura”.

Ainda durante a sessão desta quinta-feira, a bancada de situação se viu obrigada a abandonar a sessão antes do encerramento. Pediu respeito dos colegas vereadores e da mesa diretora que colocaram para apreciação da Casa um projeto do Executivo que não estava na pauta, e chegou à mesa dos vereadores de oposição quando a sessão já estava em curso. Juntos os vereadores se retiraram da reunião, um protesto ao desrespeito às normas da Casa.

O projeto, que não foi avaliado pelos vereadores da oposição porque não tiveram tempo hábil para análise, trata-se de um pedido do Executivo de remanejamento dos recursos na ordem de R$ 60 milhões que eram destinados às obras de pavimentação para áreas turísticas da cidade.

O próprio vereador de situação, Rui Wanderley, admitiu que o projeto havia chegado à mesa dos vereadores às 8h20 quando a sessão já estava em andamento e nem o presidente da Comissão de Justiça e Cidadania, Ronaldo Silva, estava presente na sessão.

Por decisão unanime dos vereadores de oposição, o Ministério Público será provocado para a realização da Audiência Pública, dando o direito à população de Petrolina e protagonistas desse processo esclarecerem sobre o projeto do Executivo municipal.

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