O paulista Luiz Sampaio dedicou a maior parte da vida aos planetários e à criação de centros de ciências para a educação não formal. Hoje, aos 65 anos, decidiu que é hora de retornar às origens, resgatar sua formação em literatura e dedicar-se em materializar e divulgar a sua arte.
Poesia para todos
Para dar vasão ao seu propósito, Luiz idealizou o projeto A Poesia de Cada Dia, que tem a proposta de ‘entregar em mãos’ gotas de poesia. Semanalmente, o autor oferece um novo poema aos seus leitores. “Com os dias tomados por afazeres rotineiros, nem sempre as pessoas se lembram de buscar o refresco necessário para a alma. Nós vamos levar isso para a vida das pessoas como forma de propiciar um mergulho mágico e envolvente no universo da literatura”, conta Luiz.
Além disso, o projeto tem a ambição de chegar aos que nunca tiveram contato com textos líricos. “Minha ideia é que nossos leitores repliquem essas gotas de poesia entre seus contatos tornando essa uma rede linda de compartilhamento de emoção e sentimento”, diz. As gotas semanais de poesia serão enviadas por e-mail ou Whatsapp, da maneira que for mais adequada e interessante para os participantes.
Para compartilhar sua arte, Luiz Sampaio criou o blog Arca de Palavras www.luizsampaio.com
Nesse espaço, ele publica seus trabalhos e disponibiliza uma série de poemas e contos escritos ao longo de sua vida e que lhe foram ‘sussurrados’ em forma de inspiração. “Posso quase dizer que ‘recebo meus poemas’. Algumas vezes, quase sempre à noite, sinto-me um pescador ou caçador bem quieto, à espreita, aguardando o poema passar… Então, no exato instante mágico em que o poema passa por mim, eu o capto!”, revela.
Para receber as poesias de Luiz Sampaio é necessário acessar o blog e fazer sua inscrição.
Reflexões que inspiram
O poeta, que sempre traduziu em palavras as inquietações que nos afligem, escreve para tocar as pessoas e despertar nelas algo de inovador, seja um sentimento, uma ideia ou mesmo um novo olhar sobre o seu próprio existir.
“Escrever é a forma que eu encontrei de falar com as pessoas, de conviver e me sentir parte da sociedade, de um todo maior do que o meu mínimo cotidiano”, diz. É por meio da poesia que Luiz expressa numa linguagem única os sentimentos e os pensamentos que jamais conseguiria exprimir de outra forma.
Sobre Luiz Sampaio, por Luiz Sampaio
Sou as palavras que sou.
São de mim o que restará, além das memórias dos meus gestos a se dissiparem rápida ou lentamente em direção ao sempre.
Cresci entre leitores e livros. Aos nove anos ganhei um diário encadernado em azul, com a palavra “Pensamentos”. Ali copiei poemas e me dediquei a grafar os sentimentos que me afligiam. Nunca mais parei.
Estudei literatura, sonhando-me poeta.
A sobrevivência arremessou-me à deriva, a mares mais que distantes: ao espaço. Trabalhei uma vida implantando planetários e observatórios astronômicos públicos. Hoje me dedico especialmente aos planetários e à criação de centros de ciências para a educação não formal.
Sou perseverante. Cruzei desertos e anos escrevendo apesar do silêncio.
Do francês, traduzi “Esperando Godot” de Samuel Beckett. Do russo, poemas de Púshkin e Liérmontov, além de “Os Banhos – Drama em Seis Atos com Circo e Fogos de Artifício”, de Maiakovski.
Sigo vivo e ativo na sonora companhia das minhas palavras.
Minha canoa do amor não se espatifou no cotidiano.


