Cemafauna lança vídeos com informações sobre comportamento das abelhas na região de Petrolina e Juazeiro

Por Ricardo Banana
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O “bzzzz” característico se distingue de longe quando apenas um desses pequenos insetos se aproxima. Quando uma população inteira sai de sua casa para montar morada em outro lugar, então o zumbido pode se tornar aterrorizante! Mas um enxame de abelhas que deixa sua colmeia para trás dificilmente está indo ao ataque de um indivíduo ou de outro animal. Ao voar em bando, as abelhas praticam um processo conhecido como enxameamento ou enxameação, muito comum durante a florada, após o período das chuvas no Nordeste. É este fenômeno que tem acontecido em diversos bairros das cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), nos últimos dias. E com o objetivo de informar a população sobre esse comportamento natural das abelhas, o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna Caatinga), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), elaborou uma série de vídeos informativos, que estão disponíveis para acesso no canal do Cemafauna no YouTube.

A bióloga Aline Andrade, pesquisadora do Cemafauna que aparece nos vídeos, se dedica a estudar o comportamento desse inseto que, entre tantos benefícios é importante para o equilíbrio do ecossistema, a produção de alimentos e também para a economia. Ela explica que o enxameamento é o processo natural de multiplicação ou divisão reprodutiva de uma colônia, que ocorre quando parte de uma colmeia vai estabelecer uma nova colônia. “As abelhas-operárias saem, geralmente com uma rainha mais velha, para estabelecer uma nova colônia”, explica Aline, que também estuda as áreas de biomonitoramento, ecologia química e genética das abelhas.

Como os enxameametos são comuns nesta época, é importante que a população mantenha a calma e acione a equipe de resgate de abelhas ao identificar colmeias ou enxames. Em Petrolina, o serviço é realizado pelo SOS Resgate de Abelhas, que é composto por diversos órgãos, entre os quais o Centro de Zoonoses e a Diretoria de Vigilância Sanitária da Prefeitura, o Grupamento de Bombeiros e o Cemafauna, que elaborou o termo de referência do projeto de resgate, manejo e destinação das abelhas e também atua na capacitação e reciclagem dos profissionais envolvidos nas atividades.

“Ao avistar um enxame ou movimento de enxameação, o ideal é isolar a área, se proteger em local seguro, sair dessa área, acionar o resgate e aguardar o atendimento, que pode demorar devido ao grande número de chamados nesse período”, recomenda a pesquisadora do Cemafauna. O número do SOS Resgate de Abelhas é (87) 3867-4774. O resgate costuma ser realizado durante a noite.

A espécie identificada nos enxameamentos registrados na região é a Apis mellifera, também conhecida como abelha africanizada, que é uma espécie exótica. De acordo com a pesquisadora, essa espécie requer mais atenção, por ser defensiva. Aline frisa que é importante manter a tranquilidade e nunca atear fogo, jogar água ou qualquer substância nos insetos. “Isso pode irritar as abelhas, que podem começar a se defender e é impossível realizar o resgate com abelhas dispersas”, alerta. De acordo com a Lei Nº 9.605/98, o extermínio de abelhas é um crime ambiental.

As abelhas são animais de grande importância para o ecossistema. Estima-se que a polinização praticada pelas abelhas seja responsável por cerca de 70% da produção de alimentos no mundo. Aline também destaca a importância econômica de outros produtos apícolas além do mel, como própolis, gelpropólis e apitoxina, que é o veneno da abelha, usado em terapias médicas. Segundo a pesquisadora, com a pandemia de Covid-19 houve um aumento no consumo destes produtos, devido à sua natureza proteica alimentar, no caso do mel, e característica terapêutica de produtos como a própolis, que tem propriedades antifúngicas, antivirais e antimicrobianas, que ao serem associados podem fortalecer o sistema imunológico.

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