Energia eólica perde competição para solar e setor enfrenta crise de demanda para novos empreendimentos

Segundo a ABEEólica, com 28 Gigawatts o setor tinha ao final de 23% 14% da matriz energética brasileira e injetava 12,4% de toda energia consumida no país.

Por Ricardo Banana
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Uma nota da Aeris Energy, fabricante de pás eólicas, no Complexo do Pecém comunicou nesta segunda-feira (13) a demissão de 1.500 funcionários da empresa depois do fim do contrato com a Siemens Gamesa, empresa hispano-alemã de engenharia eólica.

Não foi um fato isolado. Embora nos documentos do Governo da geração energia eólica ainda seja uma dos destaques da capacidade do Brasil de produzir energia limpa e renovável o fato é que a competitividade da energia eólica se acentuou com a instalação de cada vez mais plantas de energia solar de modo que os preços despencaram e fizeram os investidores reverem todos os seus projetos especialmente no Nordeste para onde foram levados os maiores parques brasileiros.

Energia demais

Isso não quer dizer que o negócio micou. Mas quer dizer que terá que se adequar à nova realidade do mercado brasileira que já tem duas vezes capacidade produtiva para o seu consumo médio.
Não é pouca coisa. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) com 28 Gigawatts o setor tinha ao final de 23% 14% da matriz energética brasileira e injetava 12,4% de toda energia consumida no país. Entre 2010 e 2010 o setor investiu R$220 bilhões e evitou que 30 milhões de CI1 fossem enviados à atmosfera.

Mercado livre

O problema é que a geração de energia eólica entrou no Brasil no ambiente regulado, com subsídios e contratos longos. Isso deu perspectivas, mas com o crescimento do mercado livre os preços para quem não estava protegido despencaram enquanto crescia a produção de um concorrente de peso. A energia solar e sua geração distribuída por milhões de tetos de residências em empresas além das plantas de geração de grande porte.

Em 2023, a geração de energia solar foi de 38 GW com 26 GW deles em geração distribuída, além dos 11GW de geração centralizada em grandes parques, parte deles debaixo dos terrenos locados para as torres de eólicas. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) estão outorgados mais de 144 GW de projetos de geração de energia.

Divulgação
Brasil debate uma lei para instalação de turbina offshore na sua costa . – Divulgação

Base para o H2V

Isso não quer dizer que a produção de energia eólica tenha ficado inviabilizada. Tanto que o grande debate no setor é a definição das regras de produção offshore que podem suportar a futura demanda de geração de hidrogênio verde. Embora ainda não esteja resolvida uma questão básica para o uso do H2V que é o seu preço final de modo a justificar o uso (em mega blocos do consumo) de energia renováveis.

Há tecnologia para que megablocos de energia eólica e solar sejam usadas nos processo de geração de H2V com fornecimento firme se ao lado dos parques e plantas de geração sejam colocado sistemas de armazenagem de energia de modo a que mesmo sem vento e sol o fornecimento para as plantas de hidrogênio verde funcionem 24 horas por dia. Mas a questão ainda é: a que custo?

Uso pelo ONS

Uma consulta ao ONS é possível saber que no Brasil ontem (14) às 17 horas 10.3% de toda energia consumida no país tinha sido gerada por eólicas e 5,8% por solar. Mas sendo ambas intermitentes, a partir desse horário sua presença naturalmente é reduzida no Balanço Geral.

Entretanto, a questão da eólica permanece. Não há encomenda de novos projetos o que provocou a demissão de operários no Ceará com já havia acontecido em Jacobina (B) em dezembro do ano passado quando a planta da Torres Eólicas do Nordeste, joint venture entre a brasileira Andrade Gutierrez e a americana GE foi fechada.

Falta de encomendas

Problema de falta de encomendas deve atingir toda uma cadeia produtiva no Brasil que vai das empresas de construção civil que fazem as estradas e as bases das torres à indústrias das peças da turbina como torres, pás, rotor e flanges. Se o setor deixar de comprar para novos projetos as empresas desses setores no Brasil tendem a fechar.

É um quadro bem diferente do setor fotovoltaico formado por dois mercados bem mais simples já que seja num telhado seja num parque com milhares módulos fotovoltaicos (placas) a geração acontece do mesmo jeito e com a China sendo o principal fornecedor. Especialmente na geração distribuída que hoje tem uma cadeia de pequenas empresas que instalam sistemas em apenas uma semana com financiamento cuja economia na conta de energia da concessionária paga a prestação.

Pensando grande

Isso não faz a Abeolica pensar pequeno. No momento, trabalha na aprovação do projeto de Lei das eólicas offshore (PL 11.247 de 2018) e dos primeiros licenciamentos para projetos dessa fonte no Ibama e na Comissão Especial para Debate de Políticas Públicas sobre Hidrogênio Verde do Senado. Ela também mira colocar o Brasil na Global Offshore Wind Alliance que trabalha para que o crescimento para a energia eólica offshore no mundo chegue a 323 GW de parques construídos até 2030.

Ou seja, apesar da crise e da concorrência a geração de energia eólica no Brasil ainda pode virar um grande negócio. Empreendimento que não é para empresa pequena já que cada um GW de capacidade instalada, são necessários R$12 bilhões (US$2,5 bilhões) em investimentos iniciais em parques eólicos.

Com informações: JC Online

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