Ricardo Banana

ESG e o protagonismo do Compliance: integridade atua nos três pilares do programa sustentável

Conceito cada vez mais difundido no mundo corporativo, ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, que em português pode ser traduzido para: Ambiental, Social e Governança. Esses três pilares atuam como guias para orientar investimentos, recursos e escolhas sustentáveis dentro de uma empresa. Em parceria com um programa de compliance, os resultados tendem a ser ainda mais satisfatórios para a organização.

O compliance é, por definição, o cumprimento do conjunto de normas e regras que uma empresa deve seguir para atuar de forma ética dentro do mercado. Caso a companhia queira adotar estratégias de ESG, principalmente por conta da crescente preocupação com sustentabilidade, o primeiro passo é contar com um profissional especializado em compliance, que ficará responsável pela implementação de ideias, na atuação e na fiscalização de cada uma dessas etapas.

Como esse profissional já atua em conjunto com outras frentes de trabalho existentes dentro da empresa, como recursos humanos e auditoria interna, por exemplo, ele poderá atuar em parceria com o ESG. Desse modo, desenvolve-se uma união de esforços em busca de um bem comum.

Outro ponto importante oferecido em um programa de compliance é a avaliação constante de todos os parâmetros definidos para que a empresa consiga mantê-los atualizados, tendo como foco não apenas o mercado financeiro, mas também a satisfação do cliente.

ESG: valores éticos, boas práticas e outros pontos de atuação

Valores éticos, boas práticas, sustentabilidade e responsabilidade são os quatro princípios básicos do ESG. Dentro dele, o compliance está mais associado à letra G, de Governança. É nesse pilar que o programa atua de forma direta, sendo responsável, por exemplo, pelo código de ética e pelo canal de denúncias, uma importante ferramenta para que os colaboradores possam reclamar ou questionar  sobre alguma situação ocorrida na empresa.

A importância do ESG, contudo, não fica restrita à Governança. Como o compliance é um programa completo, que dita ações dos mais diferentes setores empresariais, seus objetivos têm relação com o que preza o ESG.

Por meio de procedimentos de due dilligence (diligência prévia) e controles internos – dois dos dez pilares do compliance – uma empresa consegue viabilizar todas as diretrizes do ESG, não só na área de Governança, mas em Social e Ambiental, além de analisar eventuais riscos.

Na parte Ambiental, os estudos em ESG devem ser voltados para os impactos causados ao meio ambiente a partir de cada etapa da cadeia de produção e de negócios. Tudo deve ser considerado, como por exemplo, o grau das emissões de carbono; a gestão dos resíduos e rejeitos oriundos de determinada atividade; questões trabalhistas e de inclusão dos trabalhadores; e metodologia de contabilidade.

A letra S do ESG –  Social – é voltada para ações de responsabilidade social, preocupação também existente no compliance. Neste pilar são reunidas ações como doações e patrocínios destinados a causas e eventos.

Essas ações só devem ser aprovadas após análise dos setores responsáveis, desde que obedeçam aos regimentos internos e à prestação de contas. A auditoria, também presente no compliance, pode ser requisitada para comprovar o uso correto dos recursos designados para essas ações.

Boas práticas ambientais

Foco na sustentabilidade, não apenas no lucro. É este o principal ponto do ESG que apresentou  mudanças significativas nos paradigmas das empresas e na relação delas com os investidores e com os clientes. Hoje, adotar práticas associadas à sustentabilidade pode ser uma estratégia financeira para as empresas.

Assim, é natural que, cada dia mais, empresas busquem conhecer e aderir ao ESG. No contexto atual, já existe uma cobrança por parte de acionistas e fundos de investimentos sobre ações que garantam a sobrevivência de uma empresa a longo prazo, e nisso se inclui a preocupação com o futuro e com todas essas questões ambientais.

O ESG é hoje uma referência obrigatória para as empresas se valorizarem no mercado financeiro. Dados da Global Sustainable Investment Alliance indicam que investimentos em empresas alinhadas com o ESG já representam mais de US$ 31 trilhões em todo o mundo. São os chamados Investimentos Socialmente Responsáveis (SRI).

A última pesquisa de sustentabilidade feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostrou que 85,4% dos gestores de investimentos do país já sabem o que é ESG e usam os critérios para tomar decisões.

Foto: svetlana_cherruty/Freepik

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