A Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados) promoveu nesta quarta-feira, 4, um encontro que teve como finalidade debater mais uma vez o problema da mosca da fruta no vale do São Francisco, que se arrasta há anos, apesar dessa região ser a principal produtora de frutas do país.
O encontro teve a participação do Diretor de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Carlos Goulart, o presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, e lideranças do agronegócio local.
Cerca de 60 participantes estiveram no encontro inclusive o deputado estadual DUM. O evento foi realizado no Centro de Excelência da Fruticultura, Distrito Industrial de Juazeiro/BA. Os presentes representaram em sua maioria, médios e grandes produtores do Vale do São Francisco, ficando de fora os pequenos produtores que por falta de acesso a assistência técnica adequada, terminam sendo considerados vetores da disseminação da praga.
Para o diretor de fiscalização sanitária do MAPA, Carlos Goulart, a questão da assistência técnica que foi dizimada no país, tem deficiência para o pequeno produtor, mas existem iniciativas já em andamento que vem dando suporte aos pequenos produtores como o projeto piloto realizado no perímetro Irrigado Mandacaru, em Juazeiro, numa parceria com o Sebrae e o Senar.
“Existe essa iniciativa no projeto Mandacaru e que vem dando certo. Nós estamos trabalhando, preparando esses produtores. Nossa intenção é trabalhar com esses produtores, independente do seu perfil exportador, e assim, ampliar o projeto”, considerou o diretor.
A busca da erradicação da mosca da fruta não é uma ação para curto prazo, como afirma Carlos Goulart. Ele acrescenta ainda que esta solução deve ser feita conjuntamente entre produtores e entidades como associações, cooperativas, para que o resultado não se alongue ainda mais. Entretanto, da parte do MAPA, o orçamento curto é um fator limitador para adiantar o processo de controle da praga, mas a iniciativa privada pode se integrar na busca de uma solução que não implique em mais demora.
“Esse é um problema coletivo que precisa contar com o engajamento de todos, e produtores e associações devem entender que o problema é deles e que precisa ter uma coordenação na busca desta solução mais rápida”, assinalou o diretor do MAPA, afirmando que esses apoios aos pequenos é uma prioridade do ministério.
O presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, ficou feliz com a aceitação do convite que tornou a reunião bastante proveitosa.
“Precisamos tirar essa mosca da fruta de perto da gente. É impossível livrar a região desta praga. O produtor precisa ser conscientizado. Precisamos conversar e resolver isso de uma vez por todas”, sentenciou o presidente.
O papel da Abrafrutas será coordenado na busca dessa solução, frisou Guilherme Coelho que ressalta que o produtor precisa fazer esse controle, mas que existem falhas no apoio ao pequeno produtor no controle de pragas, porque grandes e médios produtores têm condições de fazer esse manejo adequado, podem contratar consultorias especializadas no controle sanitário vegetal.
“Eu defendo que todos os recursos que vierem dos governos, sejam para os pequenos produtores. Essa é a minha defesa. Os grandes é que se virem, pois sabem que têm que fazer”, concluiu o presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho.
TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA
A pesquisadora doutora em controle biológico da Embrapa Semiárido, Beatriz Paranhos, registrou que produtores e pesquisa precisam caminhar juntos para difundir o conhecimento, com o apoio de associações como a Valexport, e ainda os pequenos distritos.
Segundo a pesquisadora, as transferências existem. Os dias de campo existem para levar essas tecnologias. Ela conta que num ano, foram realizados 25 dias de campo, mostrando como o agricultor deve manejar para o controle de pragas como é o caso da mosca da fruta.
“As instituições devem se apoiar nessas soluções para difundir o conhecimento. Nos dias de campo, a gente leva o conhecimento, ouve o que os produtores têm a dizer e tentamos trazer a solução para eles”, esclareceu Beatriz Paranhos.
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