Economia

Guerra no Oriente Médio eleva fretes e reduz exportações de carne brasileira

Conflito pressiona logística, derruba vendas e encarece envios para a região

O impacto da guerra no Oriente Médio tem pressionado os custos logísticos das carnes brasileiras, especialmente nas exportações para a região. O frete marítimo por contêiner refrigerado mais que dobrou, passando de cerca de US$ 2.800 para até US$ 7.000, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A alta reflete a forte dependência do transporte marítimo e as restrições em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. Interrupções e redirecionamentos de cargas aumentaram os riscos logísticos e ampliaram os custos para o setor exportador.

Além do encarecimento do frete, o conflito também afetou diretamente as vendas de carne bovina brasileira. Em março, as exportações para o Oriente Médio somaram 18.220 toneladas, abaixo das 22.919 toneladas registradas em fevereiro, uma queda de 20,5%.

Em termos de receita, os embarques recuaram de US$ 137,5 milhões para US$ 115,6 milhões, redução de 15,9%. A retração foi mais intensa em países como Emirados Árabes Unidos (-49,5%), Jordânia (-44,8%), Catar (-55,3%), Iraque (-42,5%) e Arábia Saudita (-7,6%).

Carne de frango mantém força apesar da queda na região

Os embarques de carne de frango para o Oriente Médio também caíram, com recuo de 19% em relação a fevereiro. Ainda assim, cerca de 100 mil toneladas foram destinadas à região, incluindo países diretamente afetados pelas tensões.

No total global, as exportações brasileiras de frango — entre produtos in natura e processados — alcançaram 504,3 mil toneladas em março, crescimento de 6% na comparação anual, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, mesmo com as dificuldades na região, a demanda segue aquecida em outros mercados, especialmente na Ásia.

A receita com exportações de frango também atingiu recorde mensal, somando US$ 944,7 milhões em março, alta de 6,2% frente ao mesmo período do ano anterior.

A China voltou a intensificar as compras após superar restrições ligadas a um foco de gripe aviária registrado em 2025. Em março, o país importou 51,8 mil toneladas de frango brasileiro, avanço de 11,6% na comparação anual.

Entre os principais destinos do produto no mês, destacaram-se Japão, com 42,1 mil toneladas (+41,3%), Arábia Saudita, com 38,7 mil toneladas (-5,3%), África do Sul, com 33,1 mil toneladas (+21,4%), e União Europeia, com 30,7 mil toneladas (+33,7%).

Fonte: Metro1

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