A equipe de ginecologia/obstetrícia do Hospital Dom Malan discutiu, neste mês de março, o tema “Covid-19 e Gestação” com os principais centros de assistência, ensino e pesquisa do país. O momento aconteceu durante a Reunião Científica da Disciplina de Obstetrícia Patológica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na última terça-feira (02).
“O Dom Malan faz parte de um grupo técnico que uma vez ao mês discute temas diferenciados de interesse coletivo, dentro da obstetrícia. As reuniões técnico-científicas são comandadas pela Unifesp, mas todos os centros participantes apresentam estudos ao longo do ano”, esclarece o especialista em medicina fetal do HDM, Marcelo Marques.
Dessa vez o tema principal foi aberto pela Profa. Titular do Departamento de Obstetrícia da UNIFESP, Rosiane Mattar, e pelo Diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Dr. Antônio Rodrigues Braga Neto.
Foram discutidos: DIAGNÓSTICO E CONDUTA; PERSPECTIVAS DA VACINAÇÃO PARA COVID-19 NA GESTAÇÃO e OS RISCOS DAS NOVAS VARIANTES DO COVID-19. “Sem dúvida, uma discussão de extrema relevância para nós do Vale do São Francisco”, acredita Marcelo.
“Como maternidade de alto risco recebemos gestantes com Covid e hoje podemos dizer que estamos alinhados com os protocolos mais modernos do país. Além de seguirmos o Manual de Recomendações para a Assistência à Gestante e Puérpera frente à Pandemia de Covid-19 do Ministério da Saúde, estamos atentos a todas as mudanças de conduta”, pondera o médico.
Atualmente, o que tem sido verificado é que as mulheres grávidas com Covid-19 desenvolvem, em sua maioria quadros leves, entretanto, as manifestações vão de quadros assintomáticos até quadros de maior gravidade e fatais. No último trimestre de gestação e no período do puerpério, o risco de quadros mais graves se torna maior. Dessa forma, gestantes e puérperas até o 14º dia de pós parto, são consideradas grupos de risco para Covid-19.
Também é sabido que mulheres que contraíram covid-19 durante a gravidez foram capazes de passar os anticorpos adquiridos para os fetos, conferindo aos bebês proteção contra a doença. É o que mostra um estudo norte-americano publicado na sexta-feira, 29, na revista Jama Pedriatrics.
Até o momento, nem o Ministério da saúde e nem a Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselham que grávidas sejam vacinadas. Mas, em muitos países como os EUA, órgãos de controle como o CDD e o FDA já recomendam a vacinação pelo fato de as gestantes serem do grupo de risco para formas graves da doença.
“Devemos aguardar novas orientações do MS sobre a questão. A gestante que estiver exposta a algum risco, como a que trabalha na saúde e outras profissões, deve avaliar com o profissional que acompanha o seu pré-natal qual a melhor conduta, que pode envolver desde o afastamento das funções de assistência até mesmo a vacinação em alguns casos. A mulher que tomou a primeira dose sem saber que estava gestante deve realizar a segunda dose em tempo oportuno, sempre avaliando os riscos e os benefícios”, ressalta o especialista.
O alerta baseia-se exclusivamente na falta de dados, e não em evidências de que tomar a injeção possa causar prejuízos à saúde da gestante e do bebê.

