O deserto da Califórnia, improdutivo, semiárido, muitas vezes árido, enfrentou problemas com a irrigação e hoje é uma das regiões mais ricas do mundo. O estado de Nebrasca, nos Estados Unidos, também dominado por aridez, tem hoje mais áreas irrigadas que a Califórnia. O Noroeste do México resolveu enfrentar o seu problema econômico pela aridez com a irrigação e foi bem-sucedido. A Espanha construiu barragens, acumulou águas e faz irrigação e abastece praticamente a Europa com muitas e muitas frutas. Esse é o panorama da irrigação no Ocidente. Na China e na Índia, a irrigação é feita “às mãos cheias”, milhões de quitares irrigados nas terras áridas.
No Brasil, com as terras áridas e semiáridas, a irrigação praticamente começou na década de 60, com o Governo da Revolução, aqui no Vale do São Francisco. Havia algumas irrigações embrionárias do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS, mas a irrigação com força chegou no São Francisco com o Governo da Revolução, prosseguiu nos governos que se sucederam ao da Revolução, sobretudo, ao governo de Fernando Henrique Cardoso, isso até 2002. Desde então, não se fez nada de irrigação no Semiárido, notadamente no Vale do São Francisco. A pergunta é: por que pararam a irrigação?
A irrigação é responsável por grandes novidades no Vale, por exemplo, o polo Petrolina/Juazeiro transformou-se na capital da irrigação no Brasil com incursão no mercado internacional de frutas chegando até ao Japão. Nós fornecemos frutas para a Europa, aos Estados Unidos, chegando até ao Japão. Isso fez florescer, praticamente, uma nova civilização no Vale. Os projetos que estavam em andamento, em fase de conclusão pelo Governo da União, foram rigorosamente parados. Obras paradas. Então, é preciso perguntar: por que pararam a irrigação?
Nós, do Semiárido, queremos, exigimos, merecemos uma satisfação! Por que de 2002 até hoje (oito anos de Governo Lula e dois anos do Governo atual), a irrigação não recebe o menor cuidado do Governo da União?
Nós não temos modelos novos. Temos o modelo já conhecido e vitorioso, que é o modelo que foi implantado no atual Projeto Senador Nilo Coelho, no Projeto Maria Tereza, que foi sugestão de uma empresa de Israel e que foi discutido e aceito pelo Governo brasileiro, contemplando colonos, com pequenos lotes familiares, médios empresários e uns poucos grandes empresários. A combinação desses três modelos de irrigação foi bem-sucedida. Isso, naquele tempo. Imaginem no tempo de hoje.
O polo Petrolina/Juazeiro hoje tem duas escolas de Agronomia, Petrolina e Juazeiro hoje têm escolas onde se forma técnicos de Irrigação. Na grande Petrolina e na grande Juazeiro têm mais outras escolas, formando técnicos próprios para a Irrigação. Temos escolas formando pessoas para a Administração de Empresas, pessoas formando em Veterinária, em Zootecnia. Então, há uma massa humana fantástica para ser selecionada para os projetos de irrigação. A parte mais importante, que são os recursos humanos, foi aportada à região. Nós já temos água, sol, solo e agora temos recursos humanos da melhor qualidade. Como é que o Governo quer ignorar esta realidade e quer nos impor essa paralisia, em nome de quê?
Parece que o Governo está querendo que a gente seja cada vez mais pobre. Se ele quer isso, ele está contrariando todas as leis do país, porque a Constituição manda que se encurte as desigualdades regionais e inter-regionais. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) diz que o Orçamento precisa cuidar de reduzir as diferenças inter-regionais. Todos fazem um esforço para isso, por exemplo, quando um Governo municipal, estadual ou federal cuida da Educação, faz o treinamento das pessoas, as universidades buscam melhorar a Educação, mas o Governo da República ignora um dever seu, elementar, que é fazer o Canal de Irrigação. Isso tem que ser considerado inaceitável, é preciso despertar quem está dormindo diante disso. O Governo do Estado tem que saber disso, que nós estamos bem melhorados para enfrentar o problema da irrigação.
O Projeto Pontal tem 65 quilômetros de canal, com mais 30 ou 40 milhões, é possível irrigar 3.500 hectares, gerando 12.000 empregos diretos, somando aos indiretos, são 40.000 empregos. E tudo isso não acontece, por quê? Alguém tem culpa nisso. O Semiárido não aceita mais isso! Não podemos continuar sendo vítimas de tanta negligência! Nós temos tudo, temos deputados federais, temos governador, temos ministro de Estado, temos presidente da República, e somos assim, abandonados a própria sorte. O que eu busco, hoje, é uma resposta: por que não à irrigação do Semiárido? Há dez anos que não se faz irrigação no Semiárido! Essa pergunta merece resposta, precisa de resposta, exige uma resposta!
Osvaldo Coelho (DEM/PE)
Foi Deputado Federal por oito legislaturas
Blog do Banana