Economia

Lula sanciona lei que prevê novas regras para financiamento de transporte público urbano

Projeto aprovado pelo Congresso tem como um dos principais pontos separação entre tarifa cobrada do passageiro da remuneração das empresas de ônibus

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto que estabelece o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano. O texto prevê novas regras para o financiamento, a contratação e a gestão do transporte público coletivo urbano, com o objetivo de reduzir a dependência das tarifas pagas pelos passageiros e ampliar a transparência do setor. A sanção foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira.

Um dos principais pontos é a separação entre a tarifa cobrada do passageiro da remuneração das empresas de ônibus. Atualmente, o modelo usado faz com que o usuário custeie a maior parte desse custo. Com a medida, o objetivo é evitar que o usuário arque com esses custos diretamente relacionados à prestação do serviço.

A nova lei determina que a remuneração das operadoras esteja vinculada ao desempenho e à qualidade dos serviços, e não apenas ao número de passageiros transportados.

A legislação amplia ainda as exigências de transparência. Os titulares dos serviços deverão divulgar dados sobre custos operacionais, arrecadação, quantidade de passageiros transportados e indicadores de desempenho, com o fortalecimento do controle social e a fiscalização dos sistemas de transporte.

Lula vetou alguns trechos aprovados pelo Congresso. Entre eles, retirou dispositivos que obrigavam a União, os estados e os municípios a custear gratuidades e descontos tarifários com recursos orçamentários, além da previsão de prazo de cinco anos para adequação das legislações locais.

Vetos presidenciais
Segundo a mensagem presidencial, as medidas poderiam criar despesas sem estimativa de impacto financeiro e comprometer políticas de gratuidade já existentes.

Também foram vetadas a isenção obrigatória de pedágio para ônibus em rodovias estaduais e municipais, a previsão de subsídios federais às tarifas locais e o uso de créditos de carbono e compensações ambientais como fonte de financiamento do setor.

De acordo com o Executivo, os vetos têm objetivo de preservar a responsabilidade fiscal, a autonomia dos entes federativos e a segurança jurídica dos contratos.

O projeto é de autoria do então senador Antonio Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), em 2021, durante a pandemia. O contexto da época foi de perda relevante de receita do setor justamente por causa das necessidade de grande parte da população ficar em casa, frustrando também a demanda esperada para o serviço.

Fonte: FolhaPE.

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