Principal causa de transplantes de córnea, ceratocone pode ser evitado com diagnóstico precoce

Se você tem o costume de coçar os olhos, precisa ficar alerta. O hábito pode ser um fator de risco do ceratocone, doença ocular que é a maior causa de transplantes de córnea. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a cada 100 mil pessoas no mundo, de 4 a 600 delas desenvolvem a doença. Geralmente, ele se manifesta primeiramente na adolescência, entre os 13 e 18 anos de idade do paciente, sendo frequentemente bilateral: em 90% dos casos ambos os olhos apresentam ceratocone.

A oftalmologista Manuela Cordeiro, do Hospital de Olhos Santa Luzia, hospital referência em oftalmologia da rede Vision One, defende a importância do diagnóstico precoce. “O ceratocone é uma doença que se não for diagnosticada precocemente pode gerar uma baixa visual importante. O pico de progressão máxima dessa doença é geralmente na adolescência, então a gente tá falando de pessoas jovens que podem ficar cegas”, afirma.

Os adolescentes e os jovens adultos se tornam ainda mais vulneráveis por não irem tanto ao oftalmologista. Uma pesquisa do IBOPE mostrou que uma a cada cinco pessoas entre 18 a 24 anos nunca foi ao oftalmologista (21%). “O ceratocone pode aparecer num paciente que tem queixa de baixa visão, mas ás vezes o paciente nem se queixa de baixa visual”, adverte a oftalmologista.

O ceratocone é uma deformação na córnea que cria uma “pontinha” em formato de cone, na parte frontal do olho. Sua principal característica é o afinamento na estrutura da córnea e um aumento na sua curvatura. Caso seja diagnosticado no início, a doença tem tratamento, com uso de óculos ou lentes de contato, ou, em último caso, o transplante de córnea.

Outra alternativa no combate ao ceratocone é o chamado crosslinking. “É um procedimento que utiliza luz ultravioleta e riboflavina. Ele aumenta as ligações entre as fibras da córnea e deixa a córnea do paciente mais rígida. Porque o que acontece com ceratocone é que a córnea fica enfraquecida, é como se ela fosse, digamos assim, um ‘papel manteiga’ e o tratamento transforma a córnea em uma ‘cartolina’. Geralmente só precisa fazer uma vez na vida”, explica a oftalmologista Manuela Cordeiro.

A pandemia da Covid-19 também contribuiu para dificultar o diagnóstico precoce do ceratocone. E até mesmo os transplantes foram prejudicados na pandemia, já que em 2020 este tipo de cirurgia caiu praticamente pela metade. Naquele ano, o país registrou 7,1 mil transplantes de córnea ante 14,9 mil em 2019, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Com o número de captações e transplantes em queda, a instituição aponta que a fila de espera para o transplante cresceu 80%.

“Durante a pandemia, algumas pessoas deixaram de fazer acompanhamento e não conseguiram estabilizar a doença numa fase mais precoce, e aí podem chegar a necessitar de um transplante. Se um paciente for acompanhado precocemente, dificilmente ele vai precisar de transplante”, finaliza Manuela.

Junho Violeta

O Junho Violeta é um mês focado em conscientizar a população sobre o ceratocone e chamar a atenção para a prevenção da doença. Um dos principais objetivos da campanha é alertar a população sobre o risco de coçar excessivamente os olhos e reforçar a importância de manter uma rotina de consultas com um oftalmologista e detectar qualquer problema ainda no estágio inicial.

Sintomas

Alguns sintomas mais característicos podem ser destacados:
– Fotofobia (sensibilidade à luz);
– Irritação;
– Ofuscamento;
– Imagens duplas;
– Embaçamento e distorções moderadas;
– Dificuldade para enxergar à noite.

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