Um novo modelo de integração entre produção irrigada com famílias da área sequeiro que vivem na região do Projeto Pontal, zona rural de Petrolina-PE. Foi assim que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba (Codevasf) criou o projeto Pontal Sequeiro. A iniciativa reúne 300 famílias de comunidades localizadas na área onde foi implantado pela Codevasf o projeto Pontal.
O Pontal Sequeiro tem três anos, mas a produção das famílias iniciou de fato há cerca de dois anos, segundo um dos engenheiros agrônomo que presta assistência técnica as famílias integradas no novo modelo produtivo, Cândido Roberto de Araújo. “Todas as atividades básicas do sertanejo estão incluídas no Pontal Sequeiro como a caprinovinocultura de corte e de leite, o beneficiamento de frutas nativas onde o umbu é a principal matéria prima, a criação de galinha caipira, a horticultura e cultivos como macaxeira, feijão, entre outras atividades”, revelou o engenheiro.
Os produtos fruto do trabalho realizado pelo Pontal Sequeiro estiveram presentes no estande da área da agricultura familiar durante a 25ª Feira Nacional da Agricultura Irrigada (Fenagri) encerrada no ultimo sábado, 31 de maio, no Centro de Convenções Senador Nilo Coelho, em Petrolina. Todos foram bastante procurados e receberam elogios dos visitantes, conforme relevou Cândido.
“O Pontal Sequeiro envolve toda a família do produtor, desde a produção até no caso do umbu e da cabra de leite que também está envolvida no processamento, porque temos duas agroindústrias aonde são beneficiados todos os derivados do umbu desde a polpa doce, geleia, calda e mousse e a fruta com outros produtos como o doce de leite de cabra. No caso da cabra de leite, existe o beneficiamento como a queijaria onde durante a Fenagri conquistamos o Selo de Inspeção Municipal (SIM), isso permitirá a comercialização do produto no mercado convencional, conquista dessa legalização”, acrescentou Cândido Roberto.
A conquista do SIM do queijo do Pontal Sequeiro permitirá ainda que mais produtores se integrem ao projeto, passando de 150 litros diários beneficiados atualmente para 1000 litros-dia. De acordo com o engenheiro que acompanha as famílias, a caprinocultura de leite rendendo 16 litros de leite por dia, a renda do criador é de um salário mínimo por mês que hoje é de R$ 724,00. Já a caprinocultura de corte dentro do modelo pensado pela Codevasf para a concretização do programa, o rendimento pode alcançar três salários mínimos. Para alimentar o rebanho foram criados os pulmões verdes, área de 50 hectares utilizada para o plantio de forragem.
Cândido explicou que o plantio das forragens foi feita numa área mais fragilizada do solo e o alimento tirado da área tem abastecido além da criação local, os animais de outros produtores da região. No total o Pontal Sequeiro conta com seis pulmões verdes, quatro já em plena produção.
“No pulmão verde dá para criar em torno de 120 matrizes que vão gerar uma renda três salários mínimos por mês. Isso é uma coisa totalmente nova. É inclusão de renda, é tirar o sertanejo de um processo de vulnerabilidade e trazer ele para dentro de um processo produtivo e de melhoria de vida porque estamos falando de duas atividades, quando você começar a agregar isso tudo a uma galinha caipira, a meliponicultura que é a abelha sem ferrão que nos estamos trabalhando lá e, além disso, a horticultura com os quintais produtivos, será uma leva de produtos”, destacou Cândido.
Nem todos os produtores vão trabalhar com todas as atividades pensadas para o Pontal Sequeiro, mas terão aqueles grupos que vão trabalhar no mínimo com duas ou três atividades pelo próprio sistema de criação e é isso que vai gerar inclusão. “Fazer com que os filhos dos produtores voltem as suas áreas porque irão ter renda e é isso que eles querem”, avaliou o especialista.
Futuro
Outra iniciativa do projeto é fazer com que as futuras gerações conheçam o Pontal Sequeiro, uma forma de terem uma vida melhor. “Diagnosticamos antes de executar o projeto que a maioria dos produtores já são idosos e passamos a trabalhar a viabilidade do modelo nas escolas para manter a viabilidade e o crescimento do Pontal Sequeiro”, contou Cândido Araujo. Para o engenheiro, outro fator que depende da área irrigada produzindo é a integração entre as duas áreas.
“O projeto Pontal não é o Pontal Sequeiro e não é o Pontal Irrigado, ele é uma integração de tudo isso, mas o projeto irrigado não esta funcionando ainda para fazer a interação entre esses dois sistemas; o esterco do caprino e ovino para a área irrigada; a sobra de comida da área irrigada para os animais; as fruteiras aquelas frutas de descarte para o beneficiamento, era para ter toda uma integração e ainda aliado a isso tem um outro detalhe, é que dentro do projeto Pontal tem a área de reserva ambiental. Então ele é um projeto muito maior do que muita gente pensa que tem uma área de sequeiro, área irrigada e que tem o meio ambiente como fator principal”, concluiu o engenheiro.
Para colocar os produtos viabilizados pelo Programa Pontal Sequeiro, foi criada há dois anos a Cooperativa de Agropecuária Extrativista do Pontal (Coopontal). É através da Cooperativa que os produtos ganham mercado. Até um trator a organização já conquistou. A Coopontal reúne oito associações de comunidades da região e do entorno do Pontal. Segundo a presidente da Coopontal, Josélia Karina, objetivo da organização é comercializar os produtos da agricultura familiar da região, promovendo o desenvolvimento para os produtores e para o lugar.
“A proposta é promover a qualidade de vida para as famílias do meio rural e diminuir a migração da zona rural para o centro urbano da cidade”, enfatizou a presidente. A Coopontal atua em parceria com a assistência técnica da empresa contratada pela Codevasf para atender as famílias da região. O modelo do Pontal Sequeiro deverá ser adotado nos futuros perímetros que deverão ser implantados pela Codevasf em sua área de atuação em Pernambuco que atinge 69 municípios.
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