Ricardo Banana

Quadrilha que vendia vagas em medicina fraudou Enem, diz polícia

imageA quadrilha presa no início de dezembro por suspeita de venda de vagas em cursos de medicina em Minas Gerais e no Rio de Janeiro também é investigada por fraude no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), de acordo com o delegado Fernando José Lima, que presidiu o inquérito. Ainda segundo a polícia, a fraude ocorreu no exame deste ano, em Barbacena, na Zona da Mata mineira. O funcionamento do esquema foi revelado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (19), em Belo Horizonte.

“A quadrilha descobriu que o método de fiscalização do Enem era mais brando pela falta de detectores de metais”, disse. Ainda segundo o delegado, os fiscais do exame na cidade também não pediam que candidatos de cabelos longos prendessem os cabelos. Dessa forma, favoreceu o uso de escutas por pessoas que contrataram a quadrilha.

De acordo com as investigações, o suspeito de ser o chefe da organização criminosa teria pagado R$ 10 mil a um fiscal da prova em Barbacena, que, nos dois dias do exame, vazou os cadernos de cor amarela para um integrante da quadrilha. O delegado diz que isso ocorreu com agilidade, logo no início da prova, para que as questões fossem respondidas e passadas por ponto eletrônico e mensagem de celular a candidatos participantes da fraude. Segundo a Polícia Civil, o fiscal ainda não foi identificado.

A apuração do caso mostra que, mesmo sem receber o caderno amarelo, o candidato marcava esta opção de cor no gabarito e reproduzia a frase de confirmação que consta em todas as provas da mesma cor. A frase era enviada aos candidatos pelo chefe da quadrilha. Ainda segundo a polícia, houve falha na conferência da marcação do gabarito pelos aplicadores da prova. Em alguns casos, candidatos usaram uma caneta que permitia ter a tinta apagada.

O delegado afirmou que o preço cobrado aos candidatos era entre R$ 70 mil e R$ 100 mil pelas respostas, mas ainda não há um levantamento do número de pessoas que podem ter sido beneficiadas no exame. Ainda segundo Lima, o candidato era orientado a estudar para a redação, que não poderia ser fraudada.

imageDe acordo com a polícia, o pagamento seria feito depois que os candidatos conseguissem as vagas em universidades federais. A confirmação das vagas só será feita com a divulgação do resultado do Sisu.

No dia 3 de dezembro, 21 pessoas foram presas na Operação “Hemostase”, suspeitas de fraudar vestibulares de 11 instituições de ensino superior em Minas e no Rio de Janeiro. Cinco seguem detidas em Caratinga, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, incluindo dois suspeitos de atuar na fraude do Enem em Barbacena. Os demais, segundo a polícia, colaboraram com as investigações e, por isso, vão responder em liberdade.

A partir de agora, a investigação vai ser assumida pela Polícia Federal. Segundo o delegado Paulo Henrique Barbosa, há indícios de fraudes do Enem e os possíveis beneficiados vão ser investigados.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou, por meio de nota no início da tarde desta quinta-feira que a segurança durante a aplicação do Enem é feita antes, durante e após as provas, com o acompanhamento da Polícia Federal. O Inep ainda disse que acompanha os desdobramentos das investigações da Operação Hemostase, e que, até o momento, segundo a Polícia Federal, não existe qualquer elemento que indique, mesmo que de forma pontual, o beneficiamento de qualquer candidato.

O instituto ainda disse que, conforme previsto no edital do Enem, os candidatos que forem identificados como beneficiados pelo esquema serão eliminados. (G1)

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