Série histórica de levantamentos aponta que os principais postulantes se revezaram na liderança da disputa, antes de caminharem para cenário acirrado de empate
As pesquisas eleitorais são o principal termômetro para avaliar o desempenho de candidaturas na disputa pelos cargos públicos eletivos. Em Pernambuco, a linha do tempo dos levantamentos indica que os principais postulantes ao cargo máximo do Executivo estadual, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), se revezaram na liderança das intenções de voto antes de caminharem para um empate numérico às vésperas do dia decisivo.
A primeira dianteira foi de João, cuja largada foi medida no início do ano passado, quando ainda ocupava o cargo de prefeito do Recife. Embalado pela boa avaliação de sua gestão municipal, o socialista abriu uma larga vantagem frente à adversária. Em maio deste ano, Raquel assumiu a ponta na corrida pela primeira vez, chegando ao ápice em agosto. Desde então, a governadora oscilou numericamente e viu o adversário encostar cada vez mais na reta final da campanha.
João Campos abre vantagem ainda como prefeito
Em fevereiro de 2025, uma pesquisa divulgada pela Quaest apontou João Campos com 56% das intenções de voto, contra 28% de Raquel Lyra. Na ocasião, a governadora mantinha 51% de aprovação do seu trabalho, um patamar considerado positivo, mas tinha dificuldade em converter a avaliação em votos. Em agosto do mesmo ano, o mesmo instituto apontou uma diferença de 31 pontos entre João e Raquel, com 55% contra 24%.
Cerca de um ano depois, o cenário começou a se transformar. Na pesquisa Datafolha divulgada em fevereiro de 2026, Campos caiu para 47%, enquanto Lyra chegou a 35%, reduzindo a diferença para 12 pontos. A margem permaneceu no levantamento do Datafolha de abril, mas com João subindo para 50% e Raquel aumentando para 38%. Ainda em abril, a Quaest indicou um espaço ainda menor, de oito pontos percentuais, com o socialista marcando 42% e a pessedista, 34%.
Crescimento e consolidação de Raquel Lyra
A primeira virada de Raquel foi registrada em maio deste ano pelo Datafolha. Com um salto de dez pontos percentuais frente ao levantamento anterior do mesmo instituto, a governadora chegou a 48% das intenções de voto, enquanto João caiu para 43%, apontando uma vantagem de cinco pontos. Em julho, a Quaest confirmou a tendência de mudança na liderança ao indicar Raquel com 43% e João com 37%, ampliando a diferença para seis pontos percentuais.
No mês seguinte, a vantagem de Raquel atingiu o patamar mais elevado de todo o período. Em 21 de agosto, com a campanha oficial em andamento, o Datafolha divulgou uma pesquisa que apontava Raquel com 47% das intenções de voto, enquanto João somava 40% do total, uma diferença de sete pontos percentuais. Quatro dias depois, foi a vez da Quaest mostrar Raquel com 44% e João, 36%, um ponto a mais na vantagem da governadora.
Caminho para o empate numérico
A partir de setembro, com as campanhas a pleno vapor, os números passaram a registrar uma estagnação de Raquel, enquanto João crescia gradualmente. Na Quaest do dia 8, Raquel marcava 43% e João, 37%, uma diferença de seis pontos percentuais. No dia 11, foi a vez do Datafolha indicar um ponto a menos na diferença entre os dois, com Raquel atingindo 47% e João, 42%.
A pesquisa AtlasIntel do dia 17 registrou uma diferença ainda mais apertada, de 3,1 pontos percentuais, com Raquel chegando a 48,7% e João, 45,6%. Cinco dias depois, o mesmo instituto sinalizou um acirramento mais agravado, com Raquel em 48,6% e João, 47,4%, a menor diferença antes do empate numérico. O levantamento de 22 de setembro foi o primeiro após a repercussão da fala polêmica de Raquel, feita em um vídeo de maio de 2025, em que a governadora propõe a realização de uma laqueadura em uma gestante sem o consentimento da paciente.
No dia 23, a Quaest apontou o placar de 41% a 39% favorável a Raquel Lyra, em uma aparente recuperação. A tendência foi confirmada pelo Datafolha no dia 28, quando a vantagem foi ampliada para quatro pontos percentuais, com Raquel assinalando 48% e João, 44%. No dia seguinte, a Quaest sinalizou pela primeira vez um empate numérico entre dois principais postulantes, com 42% para cada.
Já o levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, contratado pelo Diario de Pernambuco e divulgado na última quarta-feira (30), apontou a liderança de João com 45,3%, enquanto Raquel marcou 44,8% das intenções de voto. Na quinta-feira (1º), uma nova rodada do Datafolha apresentou uma redução de Raquel para 46%, enquanto João manteve o patamar de 44%.
Ao longo da série histórica, o empate técnico foi um fenômeno recorrente, quando ambas as candidaturas se encontraram dentro da margem de erro. Com exceção do momento da virada de Raquel sobre João, em maio deste ano, todos os outros cenários de empate ocorreram na reta final da campanha, ao longo dos meses de setembro e outubro.
Fonte: DiarioPE.

