Política

Raquel Lyra promete universalizar a educação em Pernambuco em até cinco anos

Governadora destacou plano como uma das metas de um possível segundo mandato

Durante entrevista exclusiva para a equipe da Folha de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra fez um balanço das ações na área da educação em 2025 e afirmou que o Estado passa por um processo profundo de reestruturação da rede pública de ensino.

Segundo ela, o foco tem sido corrigir distorções do passado, ampliar a educação em tempo integral com qualidade e garantir infraestrutura adequada para alunos e profissionais.

“A gente tem hoje uma rede de 1.081 escolas e o maior percentual de cobertura de matrículas em educação em tempo integral”, afirmou. No entanto, a governadora destacou que o modelo herdado apresentava problemas estruturais.

“No passado, abriram muitas vagas de educação integral sem ampliar escolas e sem dar infraestrutura. Os profissionais de educação sabem do que eu estou falando”.

Raquel Lyra criticou o funcionamento de unidades integrais sem espaços essenciais. “Tiraram refeitório, tiraram biblioteca, tiraram laboratório, não construíram quadras. E os meninos passavam o dia inteiro numa escola que não oferecia essas alternativas”, disse. Para ela, a consequência era clara: “Eles entendem, e isso é fato, quase como um confinamento”.

Outro ponto destacado foi a jornada excessiva. “Tinha escola em tempo integral funcionando em dois turnos, de 7h às 14h e de 14h às 22h. Mandar menino para casa 10 horas da noite não dá”, afirmou. Segundo a governadora, esse modelo está sendo revisto. “Acabei de assinar um decreto acabando com isso tudo. Escola de tempo integral agora funciona até 14h, e vamos ampliar todas elas até 17h”.

A meta, segundo Raquel Lyra, é ousada.

“Eu quero universalizar a educação em Pernambuco. O plano é fazer isso nos próximos cinco anos, mas dá para fazer nos próximos três, porque nós estamos avançando todos os anos”. Para isso, ela destacou investimentos estruturais. “Estamos reformando as escolas, colocando cozinha nova, refeitório novo, ar-condicionado em todas elas, requalificando e ampliando”.

Apesar de recursos disponíveis no passado, Raquel Lyra afirmou que faltou direcionamento correto.

“Teve muito dinheiro na educação, mas agora tem dinheiro e estamos fazendo o investimento do jeito certo.” Ela reconheceu a complexidade da tarefa. “Dá trabalho reformar 1.080 prédios. É como reformar 1.080 casas onde circulam de 500 a mil pessoas”.

Entre as melhorias, ela listou a troca de equipamentos e a modernização pedagógica.

“Estamos trocando banco escolar, colocando ar-condicionado, trocando lousa, implantando laboratórios, contratando gente, levando internet e computador para cursos técnicos que nunca tiveram isso”.

A governadora relatou situações que evidenciam o desafio.

“Como é que um aluno faz um curso técnico de sistema de informação, como eu vi em São Bento do Una, sem internet funcionando e sem computador adequado?”, questionou.

Raquel Lyra avaliou que, apesar dos avanços, ainda há muito a melhorar.

“A educação em Pernambuco vai melhorar muito. Eu não estou satisfeita com o que temos, embora hoje tenhamos o terceiro melhor ensino médio do Brasil.” Ela ponderou que o ensino fundamental ainda precisa avançar.

“O nosso ensino fundamental está para lá do 20º lugar, e nós estamos ampliando a rede de educação integral nessa etapa”.

Entre as principais ações estruturantes, a governadora destacou a expansão da educação infantil.

“Vamos construir 250 creches em Pernambuco para garantir que todo mundo aprenda a ler e escrever na idade certa.” Ela lembrou que o Estado tem um dos piores índices da região. “Temos a pior cobertura de creches do Nordeste, apenas 18%”.

Raquel Lyra ressaltou os resultados na alfabetização. “Somos um dos cinco estados brasileiros que mais evoluíram na alfabetização na idade certa”. Segundo ela, isso se deve à atuação do Estado junto aos municípios. “Cabe ao Estado ser coordenador e apoiador dos municípios na educação”.

A governadora detalhou mudanças no programa de alfabetização. “Tínhamos 120 formadores, eu coloquei 1.200 e aumentei o valor da bolsa”. O impacto, segundo ela, já é mensurável. “Saímos de 28% para 58% dos alunos aprendendo a ler e escrever na idade certa”.

A meta final é ambiciosa. “Eu quero 100% desses meninos alfabetizados. É uma meta ousada, mas absolutamente possível.” Como exemplo, citou experiências bem-sucedidas. “Em Carnaubeira, 100% dos meninos estão aprendendo a ler e escrever na idade certa”.

Raquel Lyra afirmou que o Estado decidiu assumir responsabilidades além do que é formalmente atribuído. “Eu podia ter lavado as mãos e dito que isso era só do município, mas a gente sabe que o município é o elo mais frágil da cadeia, porque tem menos recurso”.

Segundo ela, o apoio tem sido amplo. “Estamos reformando escolas municipais, construindo quadras, e fazendo isso também na nossa rede”. Outro destaque foi o transporte escolar. “Compramos mais de 2.200 ônibus e estamos entregando. Aumentei em 175% o valor do transporte escolar e agora pagamos em dia, coisa que o Estado não fazia”.

Ao concluir, a governadora definiu o momento atual como uma fase de mudança estrutural. “Hoje, a gente vive uma educação em transição em Pernambuco”, afirmou, reforçando que o processo exige continuidade, investimento e articulação para garantir um ensino público de qualidade em todo o Estado.

Fonte: FolhaPE

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