Instituição prepara profissionais de nível médio e superior para atender à nova realidade do mercado, que exige processos logísticos cada vez mais rápidos e conectados
Comprar, receber e acompanhar um produto em tempo real tornou-se parte da rotina do consumidor moderno. O que acontece nos bastidores dessa experiência, no entanto, revela uma transformação tecnológica irreversível.
A logística, antes vista apenas como uma área operacional, tornou-se estratégica. Decisões orientadas por dados deixaram de ser vantagem competitiva para se tornarem uma necessidade vital para empresas que desejam crescer e sobreviver em um mercado dinâmico.
Coordenador do curso superior de Logística da Faculdade Senac Pernambuco – instituição de ensino que forma profissionais do setor aptos à análise e gerenciamento de dados -, Over Montes Causil destaca que a mudança no mercado logístico está ligada à transformação do consumidor, que exige rapidez nos processos.
“O perfil mudou. Antigamente, o cliente queria um produto daqui a três dias, só que agora ele está acostumado a ter a mercadoria daqui a três, quatro horas, na porta de casa”, aponta Over Montes.
Empresas passaram a investir fortemente em ciência de dados aplicada à logística. A análise das informações permite prever demandas, antecipar necessidades e posicionar estrategicamente os estoques.PROATIVA
Over Montes Causil detalha que, antes da inserção das recentes tecnologias, a logística atuava de forma reativa, respondendo a problemas depois que eles aconteciam. Hoje, o setor precisa prever cenários, riscos e demandas futuras.
“Agora, a logística tem que ser proativa, tem que se antecipar para conseguir oferecer o produto no momento que o cliente solicitar”, destaca o coordenador, apontando que a mudança só foi possível com o uso intensivo de inteligência de negócios (Business Intelligence – BI), indicadores de desempenho e análise de dados.
“Temos tecnologias e ferramentas que permitem extrair, transformar e carregar dados – processo conhecido como ETL -, convertendo dados brutos em informações relevantes. Trata-se, portanto, de Business Intelligence, cujo objetivo é captar, organizar e analisar essas informações para apoiar a tomada de decisão de forma ágil e assertiva”, afirma Over.
INDICADORES
Painéis de controle com indicadores de performance e sistemas integrados passaram a guiar a gestão logística. Os dados, que são armazenados em nuvens, orientam ajustes, impactando diretamente a operação.
“É possível verificar quantos produtos estão disponíveis no estoque, quantos estão perto do vencimento, qual modal é melhor para determinado transporte. Os dados permitem administrar, aumentar o giro da mercadoria e reduzir custos”, explica Over.
Ainda de acordo com o coordenador, sistemas de software como ERPs e TMS, por exemplo, permitem otimizar processos, mapear padrões de consumo e até redefinir o layout de centros de distribuição a partir da organização de estoques por demanda.IA
Over Montes detalha que a inteligência artificial (IA) se tornou uma aliada estratégica da logística baseada em dados. A partir da produção de relatórios, a ferramenta ajuda a identificar falhas, riscos operacionais, custos excessivos e até a identificar o comportamento dos consumidores de qualquer segmento.
Apesar do auxílio, o coordenador da Faculdade Senac ressalta que a tomada de decisão baseada nas informações geradas pela tecnologia continua sendo humana. “A IA faz relatório, mas cabe ao profissional de logística analisar e tomar a decisão”, afirma.
FORMAÇÃO
Em um mercado cada vez mais veloz, conectado e exigente, a logística baseada em dados não apenas sustenta o crescimento das empresas, mas define quem permanece competitivo. Por isso a qualificação profissional se torna decisiva, principalmente diante da escassez de mão de obra capacitada.
“Essas tecnologias mudam muito rápido. O operador logístico precisa ser qualificado para utilizá-las de forma consciente, ética e analisar de modo objetivo qual informação ele vai tirar dessa logística baseada em dados. São necessários treinamentos e atualizações contínuas”, ressalta Over Montes.
Nesse contexto, dominar dados, tecnologia e análise deixou de ser tendência e passou a ser obrigação. “É imprescindível que o profissional acompanhe essa mudança tecnológica do mercado”, destaca.
Para atender a demanda do mercado, a Faculdade Senac readequou a proposta de formação. “O curso superior tecnólogo em Logística passou a contar com unidades curriculares voltadas para tecnologia, ciência de dados, programação e inovação”, detalha Over.
Na unidade de ensino, situada no bairro de Santo Amaro, no Recife, os estudantes encontram infraestrutura completa, com laboratórios e computadores conectados a sistemas softwares, permitindo o contato com as tecnologias da área.
Outro importante diferencial está no corpo docente qualificado, formado por mestres e doutores atuantes no mercado, além de metodologia de ensino baseada em projetos integradores, com estudos de casos reais e desafios propostos por empresas, na maioria dos casos.
“Os estudantes fazem visitas técnicas nas empresas e trabalham casos de estudo na sala de aula. Temos essa conexão para que o estudante consiga demonstrar que está apto a trabalhar no mercado real. A Faculdade Senac prepara”, pontuou Over.
MEDIOTEC
O Senac também oferece o curso de Logística pelo Mediotec, escola que integra o Ensino Médio à formação técnica profissional. Segundo o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, a iniciativa amplia as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.“O Mediotec permite que o estudante conclua o Ensino Médio já com uma qualificação técnica, fortalecendo sua empregabilidade e contribuindo para a formação de profissionais mais preparados para os desafios do setor produtivo. Outro diferencial da instituição é que, ao concluir a formação no Mediotec, o aluno pode ingressar na Faculdade Senac Pernambuco com aproveitamento dos estudos, reduzindo a duração da graduação. Por exemplo, ao cursar Logística no Mediotec e optar pelo curso superior tecnólogo em Logística, o estudante tem disciplinas aproveitadas”, ressalta Bernardo Peixoto.
Fonte: FolhaPE.

