No ano, lucro da empresa foi de US$ 2,35 bilhões, redução de 62% na comparação com o ano anterior
A mineradora Vale reportou um prejuízo de US$ 3,8 bilhões no último trimestre do ano passado, pressionado por uma provisão de US$ 449 milhões com possíveis perdas diante do julgamento da Samarco pela tragédia de Mariana, no Reino Unido, e uma baixa contábil de US$ 3,5 bilhões no braço de níquel da mineradora no Canadá.
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Em Londres, vítimas do desastre recorreram à Justiça britânica por considerarem insuficientes os processos conduzidos no Brasil. Eles reivindicam 36 bilhões de libras (cerca de R$ 260 bilhões, na cotação atual) por danos e prejuízos.
A pressão de ambos os custos diminuiu o lucro líquido anual de 2025 para US$ 2,35 bilhões, redução de 62% na comparação com os US$ 6,16 bi registrados em 2024.
Quando excluídos esses eventos — no indicador chamado de “proforma” —, a mineradora reportou um lucro de US$ 7.796 bilhões em 2025, alta de 28% na comparação com o registrado em 2024, de US$ 6,1 bi.
Em balanço divulgado na noite desta quinta-feira, a companhia afirma que a baixa contábil do braço canadense da empresa advém da “revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo do níquel com base em estimativas de mercado”.
No quarto trimestre do ano passado, o lucro líquido proforma foi de US$ 1,46 bi, crescimento de 68% na comparação com igual período do ano passado.
No ano passado, as vendas de minério de ferro cresceram 3%, a 8 Mt (milhões de toneladas), enquanto os negócios de cobre registraram aumento de 12%, a 41 mil toneladas. As vendas de níquel também registraram alta, de 11%, a 18 mil toneladas.
A receita líquida das vendas foi de US$ 38,4 bi, alta de 1%. No último trimestre do ano passado, a alta foi de 11%, aos US$ 11,06 bi. A geração de caixa proforma, medida pelo EBITDA (juros antes de lucros, depreciação, amortizações e impostos), aumentou em 3%, para US$ 15,869 bi. De acordo com a empresa, as operações da mineradora atingiram os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018.
O preço médio dos minerais nos negócios também subiu, informou a empresa. O valor médio de minério de ferro subiu 3%, a US$ 95,40 por tonelada, enquanto o do cobre subiu 20% em 2025, a US$ 11.003/t. Já o níquel registrou recuo de 7% na comparação com 2024, sendo negociado a US$ 15.015 a tonelada.
Com o resultado, a empresa anunciou um pagamento de US$ 1,8 bilhão (aproximadamente R$ 9,4 bilhões) em dividendos e juros sobre capital próprio a serem pagos no mês que vem.
No ano passado, a empresa investiu US$ 5,5 bilhões e a dívida líquida expandida alcançou US$ 15,6 bi.
Diante do ímpeto do estrangeiro na compra de ações de grandes empresas de países emergentes, os papéis da mineradora alcançaram, na quarta-feira, a máxima histórica, aos R$ 90,09, mas fecharam em baixa nesta quinta-feira, de 0,95%, valendo R$ 89,23.
Fonte: FolhaPE.

