A palma possui “alta eficiência” no uso de água – 11 vezes maior que espécies forrageiras como milho, sorgo e capim buffel. Ainda assim, os criadores precisam recorrer a um aporte complementar de água para manter os plantios produtivos em áreas mais secas e de solos mais pobres do Semiárido, como os municípios do Sertão do São Francisco, na Bahia.
As técnicas e conhecimentos para esse aporte de água nos palmais, seja potável ou salina, foram temas de um workshop realizado na sede da Embrapa Semiárido, em Petrolina – PE. Estiveram presentes grupos de pesquisadores, professores e técnicos de diversas instituições públicas e privadas que atuam nos vários estados da região.
O pesquisador Tadeu Vinhas Voltolini, organizador do evento, explica que o fornecimento adicional de água promove o crescimento mais intenso das plantas de palma em relação às cultivadas em condições de sequeiro. Em alguns estudos experimentais, inclusive em propriedades de agricultores familiares, tem se obtido produtividades entre 500 e 600 t/ha de massa verde.
“É bem mais que as médias de colheita registradas atualmente: 100 t/ha de massa verde”.
Experiências Na palestra de abertura do workshop, “Palma-forrageira em sistemas biossalinos: produção e conservação”, o pesquisador Gherman Garcia Leal Araújo apresentou um conjunto de estudos em andamento na Embrapa Semiárido que tem por base o uso de água salobra, abundante no subsolo da região. De acordo com ele, a existência de mais de 200 mil poços nas áreas secas do Nordeste dá uma dimensão do potencial dessas águas para a implantação e manutenção de palmais por toda a região.
O pesquisador Guilherme Costa Lima, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), e o professor Thieres Freire da Silva, da Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Serra Talhada, apresentaram experiências e resultados da complementação
hídrica em palma forrageira.
Parte da programação técnico-científica aconteceu nas instalações do curso de pós graduação em Ciências Agrárias, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), durante defesa de dissertação de mestrado – “Características produtivas e estruturais da palma-forrageira irrigada em diferentes intervalos de corte” – por parte de Rafael Sene Rocha, sob a orientação do pesquisador da Embrapa.
Para um primeiro evento, o workshop “surpreendeu pelo grande volume e qualidade das informações acerca do tema e produzidas por diversas equipes de especialistas’ afirma Tadeu Voltolini.
A última atividade constou de visita à propriedade de seu Luís de Manegon, na Lagoa do Boi, zona rural do município de Juazeiro – BA. No local, está instalada uma área experimental de cultivo de palma com um sistema de irrigação simplificado para complementação hídrica a partir de água salobra. O resultado se mostrou tão favorável que o agricultor, por iniciativa própria, praticamente dobrou a área plantada e já planeja estender o palmal para mais áreas dentro da propriedade.
Os pesquisadores, professores, técnicos e estudantes puderam observar a realidade do agricultor, ouvir sua experiência e identificar aspectos que merecem ser
estudados em novos projetos que ampliem a eficiência da tecnologia. Segundo seu Luís, se antes havia muita dificuldade para alimentar os
animais, agora, com a palma, não tem faltado alimento para sustentar seus animais na seca.
Para Tadeu, em cultivos que dependem das chuvas a palma está pronta para o corte de dois a quatro anos após o plantio. A complementação hídrica por meio da irrigação permite a obtenção de produção precoce, o que aumenta a oferta de alimentos para os rebanhos, além de favorecer a obtenção rápida de mudas para novos plantios e para a comercialização.
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
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