Após venda do pré-sal, produção da Petrobrás cai pela 3ª vez consecutiva

A venda dos campos do pré-sal às multinacionais pelo governo Michel Temer já resultaram na terceira queda consecutiva da produção de petróleo da Petrobrás; segundo dados da própria companhia, em julho a estatal produziu 2,01 milhões de barris por dia (bpd), 1% inferior na comparação com o mês anterior; Petrobrás afirmou que a queda se deve “principalmente, em função da cessão de 25% da participação do campo de Roncador para a Equinor (ex-Statoil) e da parada da plataforma de Mexilhão para inspeções de segurança e melhoria da infraestrutura de escoamento de gás do pré-sal”.

Em abril, antes da sequência de tombos, a produção de petróleo do pré-sal subiu 2,3% em relação a março e superou o recorde registrado em fevereiro. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção chegou a 1,423 milhão de bpd. Também foram produzidos e 58 milhões de metros cúbicos diários de gás natural por meio de 86 poços. A produção registrada na camada do pré-sal correspondeu a 54,4% do total produzido no país.

Na linha privativista, a compra do campo de Roncador pela Equinor, citada no comunicado da Petrobras como uma das causas para a queda na produção de petróleo da estatal, tornou a multinacional a 3ª maior petroleira em atividade no Brasil. A Equinor também adquiriu os campos de Carcará e Carcará Norte que, juntos, possuem reservas superiores a 2 bilhões de barris equivalentes em óleo recuperável, podendo chegar a 4 bilhões de barris equivalentes em óleo recuperável, segundo avaliação da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet).

A queda na produção da Petrobrás está atrelada ao chamado plano de desinvestimentos por meio das diretrizes de privatização do governo Temer e implantada pelo ex-presidente da companhia Pedro Parente. O plano prevê a privatização de ativos de até US$ 35 bilhões e não afeta apenas a capacidade de extração.

Segundo dados da Aepet, a utilização do parque de refino vem acompanhando a oscilação do desempenho da estatal. Em 2015, as refinarias brasileiras fecharam o exercício com uma taxa de utilização de 85%, que foi reduzida para 72% no primeiro trimestre de 2018. A queda de 13% equivale a uma diminuição superior a 250 mil bpd de derivados.

A política de preços adotada – atrelada a cotação internacional e ao dólar – também acabou por prejudicar companhia. A adoção de preços elevados, até mesmo acima dos praticados no mercado internacional – embora produza e refine seu próprio petróleo – fez com que as importadoras ocupassem até 30% do espaço que até então era ocupado pela própria Petrobrás, o que levou a uma redução na atividade de refino do país. (247)

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