Professora da Facape é premiada na Argentina com trabalho sobre inserção da mulher no mundo do crime

Para alguns, os filmes de super-heróis podem ser uma grande diversão. Mas, um olhar mais apurado indicam outras leituras sobre o universo dos vilões, mocinhas e super  poderes. Para a professora Jaiza Sammara, que leciona no curso de Direito da Facape, uma produção aparentemente voltada para o entretenimento acabou se tornando objeto de estudo, que resultou no artigo “Arlequina: paixão, violência e criminalidade”, texto premiado no IV Encontro Internacional de Ficção e Direito, realizado em julho em Bueno Aires, Argentina.

No trabalho a professora traça o perfil psicológico da personagem da DC Comics, Arlequina, que estrela também o filme “Esquadrão Suicída”, fazendo relações de como através da paixão uma mulher pode ser inserida no contexto de violência e crimes. O processo de elaboração do artigo aborda também a estrutura familiar da garota de jeito exótico e cabelos coloridos, até chegar ao seu relacionamento com o vilão Coringa, também personagem da trama. “O Coringa exerce completa influência sobre a Arlequina, de maneira que ela acaba ingressando no mundo do crime para seguir o amado”, destaca Jaiza.

Outras problematizações abordadas pela professora são a violência simbólica e naturalização da violência contra a mulher. “A maioria das pessoas que assistem a série em que o personagem Arlequina é descrita, naturalizam a violência que ela passa, não compreendendo que, na realidade, a personagem sofre violência doméstica muito forte”, evidencia Jaiza.

Com a abordagem, a professora chama atenção para situações a que as mulheres estão submetidas diariamente, apresentando novos olhares acerca da inserção do gênero no mundo do crime. Segundo dados do Ministério da Justiça, a população de mulheres presas segue crescendo em torno de 10,7% ao mês. Com 42,3 mil presas, as brasileiras compõem a quarta maior população feminina encarcerada do mundo.

Ascom

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