A partida de Reginaldo Rossi deixou em pedaços os corações

imageDurante quase 50 anos de carreira, Reginaldo Rossi enalteceu centenas de casos de amor sob todas as suas formas, incluindo as amargas, os desamores. Na alegria e na tristeza. Psicanalista da mesa de bar, cantou a paixão e a traição, a dor de corno que leva o desalmado a confessar ao garçom que sua mulher mandou uma carta para avisar que ia se casar com outro, lhe restando a embriaguez. Cronista sacana, deu conselhos à moça infiel capaz de trair o marido em plena lua de mel. Quantos casais o Rei do Brega não embalou ao som de A raposa e as uvas, Ai amor, Quando você foi embora, e Em plena lua de mel (que tem mais de 40 regravações). Na hora do adeus, esses corações apaixonados choravam seu ídolo nas mesas de bar e na fila que se formou desde o início da noite desta sexta (20) na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Quando o corpo de Reginaldo Rossi chegou à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) às 18h15 desta sexta (20), uma pequena multidão já se formava na frente ao edifício. Até às 19h, o único artista presente no velório era o percussionista Naná Vasconcelos, que teceu elogios ao Rei do Brega. “Reginaldo era um homem muito generoso, uma grande figura e de muita personalidade. Nunca mudou o seu estilo musical por conta de modismos. Não chegamos a trabalhar juntos, mas convivemos bastante, principalmente nos anos de 1960”, disse Naná.

O tom emotivo do velório também se fez presente no discurso do filho Roberto Rossi, 35 anos, ator e diretor de teatro no Rio, onde vive. “Não estou aqui para chorar a morte do meu pai, mas para celebrar o grande homem que ele foi. Meu pai era um homem que amava a música. Quando estava internado na UTI, perguntava quando poderia voltar a cantar”, falou. “Todo o velório será aberto ao público, porque meu pai viveu para ele. Ele não gostaria que fizéssemos o velório fechado”, disse Roberto. O corpo seguirá às 15h deste sábado (21) para o cemitério Morada da Paz, onde haverá missa e homenagens. O sepultamento será em cerimônia reservada, às 20h.

A viúva do cantor, Celena Rossi chegou à Assembleia Legislativa acompanhando o filho e evitou conversar com a imprensa. Na área reservada aos familiares, no plenário, ela recebia os cumprimentos de familiares e amigos, demonstrando tristeza e com lágrimas nos olhos.

Menos de uma hora após o anúncio da morte do Rei, os arredores do Hospital Memorial São José estavam repletos de fãs. Joelma de Lima, empregada doméstica de 48 anos, foi uma das pessoas que correram para o local quando ficou sabendo da notícia. Ouviu na rua mesmo, com as pessoas comentando e se comovendo. Nervosa, foi logo para a frente do hospital, como se não conseguisse muito bem acreditar na veracidade daquilo. Seus olhos estavam marejados e sua voz trêmula. “Não tem pessoa igual a ele não, perdemos nosso Rei”, disse.

Muitos transeuntes que passavam por lá nem mesmo sabiam o que estava havendo e, ao descobrir a morte de Reginaldo, decidiam que o compromisso que os esperava podia esperar mais um pouco. Afinal, despedir-se do rei atropela a lista de prioridades de qualquer um.

A poucos metros de Dona Joelma estava a artista plástica, Edilma Ávila, 56 anos. Ela também ficou sabendo da morte de Rossi pelo boca a boca do povo. “Fui levar minha mãe no médico e soube da notícia da morte de Reginaldo”, contou. “Ele foi uma pessoa brilhante e fez parte da minha mocidade. Quem nunca tomou uma cuba libre com Reginaldo em Itamaracá? Ele viveu do jeito que queria e levou Pernambuco para o Brasil.”

Os profissionais que acompanharam o artista no hospital guardarão uma imagem carinhosa de Reginaldo Rossi, que havia sido atração de uma grande festa da empresa há 15 anos. “Logo que ele chegou ao hospital, procuramos tratá-lo com carinho. Quem nunca cantou ou dançou ao som de suas músicas numa festa”, disse Ana Amélia Bezerra, coordenadora da fisioterapia respiratória do Memorial São José. Ana Amélia relembra um momento especial. “Uma das auxiliares disse para ele, de forma carinhosa momentos antes de entuba-lo: ‘Seu Reginaldo, o senhor sempre cantou para gente. Agora nós cantaremos para você’. Ele estava sempre colaborando, simpático e com humor, apesar do desconforto da doença”, recordou.

Por isso, não é exagero algum dizer que Reginaldo Rossi é desses fenômenos populares duradouros, eternos. É esse ídolo que, ao partir, faz Pernambuco chorar, inconsolado com o seu súbito desaparecimento, deixando o Brasil menos apaixonado. (JC Online)

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