Elas ganham salários menores e ainda tem menos oportunidades.
Diferença salarial em relação aos homens em cargos iguais. Menores chances de treinamento, promoção e ocupação de cargos de chefia. Baixa participação em reuniões importantes e dificuldade de acesso a recursos. Essas são situações frequentes, enfrentadas por mulheres em diferentes postos no mercado de trabalho. 

De acordo com estudo “Estatísticas de Gênero”, divulgado pelo IBGE em 2024, a taxa de participação de mulheres na força de trabalho foi de pouco mais de 50%, enquanto a homens ficou acima de 70%. Esse dado está relacionado a outra informação do estudo. As mulheres dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados de pessoas ou afazeres domésticos na comparação com os homens.
Gisele Souza é executiva de direitos humanos, diversidade, equidade e inclusão de um banco público. Sendo a primeira mulher negra retinta a ocupar o cargo de executiva. Ela conta que enfrentou desafios para conquistar uma posição desse porte.
“Eu tenho muito orgulho de ocupar essa posição, mas ela não foi uma jornada simples e fácil. Vários momentos nessa trajetória eu tive o não. E esse não é porque faltava algo. Não era o resultado, porque eu tinha o resultado, eu tinha o desempenho. Eu tinha a validação dos meus pares. Mas aquele que era o detentor da alçada, da nomeação, da oportunidade, não enxergava”.
A executiva destaca que o objetivo da empresa é aumentar ainda mais a inclusão de mulheres em cargos de destaque.
“Nossa meta é ter 50% de mulheres em posição de liderança até 2030. Nós, mulheres no banco, ocupamos 28,9%. Então veja que até 50% temos bastante aí um caminho interessante para percorrer”.
A professora de comportamento organizacional e liderança da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Liliane Furtado, explica a raiz das desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho, especialmente no acesso a cargos de chefia.
“Está muito relacionado aos atributos que se associam à liderança e ao gênero feminino, masculino. Normalmente, o modelo mental de liderança, quando as pessoas pensam na figura do líder, se atribui a essa figura alguns atributos que, na sociedade, tradicionalmente, são atribuídos aos homens”.
A especialista acrescenta que o problema também existe em diversos países e destaca a importância de iniciativas, incluindo as governamentais, para mudar esse cenário.
“Existem países, o Brasil, inclusive, é um deles, que pensam políticas públicas ou iniciativas mesmo governamentais para tentar intervir e reduzir de forma acionada por um agente, para reduzir essa desigualdade. Existe toda uma discussão também, social, que tem sido estabelecida já há algum tempo para se questionar, entender e avançar essa agenda não só dentro das organizações, mas dentro da própria sociedade”.
Desde 2023, o Brasil tem uma lei que determina a obrigatoriedade da igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres. A igualdade de gênero e o empoderamento feminino fazem parte dos objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da ONU.
Fonte: Radio Agência.

