Em 8 anos, energia sobe 246% no País

Os preços pagos na indústria pela energia elétrica subiram espantosos 246% no Brasil entre 2003 e 2011, enquanto a alta nos Estados Unidos foi de 35,3%, aponta levantamento da MB Associados. O gás natural – outro importante insumo para a produção industrial – custa hoje US$ 15 por milhão de BTU (British Thermal Unit – medida padrão do setor) em Camaçari, na Bahia. Em Henry Hub, na Louisiana, o gás natural está cotado a US$ 2,50 por milhão de BTU. Essa é a região usada para balizar os preços dos contratos futuros de gás na Bolsa de Nova York.

De acordo com Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, os preços do gás natural devem se manter baixos nos Estados Unidos por causa do início da exploração das imensas jazidas de gás de xisto do país. “Com insumos e mão de obra mais baratos, os Estados Unidos estão se tornando novamente atrativos para a produção industrial”, disse Vale.

China – Não é só em relação ao Brasil que o remédio amargo da crise fortaleceu a indústria dos Estados Unidos. Estudo do Boston Consulting Group (BCG) prevê que em apenas cinco anos os custos de produção dos EUA e da China estarão praticamente equiparados.

A expectativa é que as unidades instaladas na China se voltem para o mercado local, que promete crescer à medida que o governo estimula o consumo.

Já os EUA começariam a recuperar parte do parque industrial que perderam para o gigante asiático.

“A realocação industrial está em fase inicial e vai variar de setor para o setor, mas os EUA estão se tornando um país de baixo custo”, diz o BCG. “Carolina do Sul, Tennessee e Alabama vão se transformar em alguns dos lugares de menor custo de produção do mundo.”

Produzir no Brasil custa mais que nos EUA

Está mais barato produzir bens industriais nos Estados Unidos do que no Brasil. A afirmação parece um contrassenso, mas se tornou realidade. A crise provocou uma reviravolta na estrutura de custos das empresas, encarecendo uma nação emergente como o Brasil e tornando os EUA um país de baixo custo.

“As empresas relatam que hoje existem condições mais favoráveis para a produção industrial nos Estados Unidos do que no Brasil”, conta Gabriel Rico, CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham-Brasil), que reúne as multinacionais americanas instaladas no País.

O câmbio é o principal vilão por causa do enfraquecimento do dólar, especialmente diante do real, mas não é o único. Levantamento da MB Associados, feito a pedido do Estado, aponta que despesas importantes, como energia e mão de obra, subiram muito mais no Brasil do que nos EUA.

TRABALHO – Nos últimos cinco anos, o custo do trabalho em dólar na indústria aumentou 46% no Brasil e apenas 3,6% nos Estados Unidos. Segundo Aluizio Byrro, presidente do conselho da Nokia Siemens na América Latina, a mão de obra no Brasil está entre as mais caras do mundo. “Um gerente de nível médio chega a ganhar 20% menos nos EUA do que aqui.”

No Brasil, os encargos trabalhistas são pesados e a variação cambial encareceu os salários em reais. Além disso, o crescimento da economia e a baixa escolaridade da população provocou uma forte escassez de mão de obra qualificada. Nos Estados Unidos, trabalhadores não têm direito como décimo terceiro salário ou licença-maternidade. Com a crise, as empresas ganharam poder de barganha e conseguiram até redução de salários.

“No setor automotivo americano, por exemplo, tudo foi repensado para salvar empresas que estavam à beira da falência”, diz Marcelo Cioffi, sócio da consultoria PwC. “Já o Brasil é um dos países mais onerosos do mundo para produzir carros. Não só pelo câmbio, mas também pela falta de escala, excesso de impostos, mão de obra e matéria-prima mais caras.”

De acordo com Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, além da logística ruim e da carga tributária, o setor industrial brasileiro sofreu com a inflação mais alta que nos EUA, o que elevou custos.

Fonte: Tribuna da Bahia

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