Em PE, maior parte das pessoas na fila por transplante espera por um rim

Na segunda reportagem da série sobre transplantes de órgãos em Pernambuco, exibida no NETV 1ª edição desta terça-feira (1º), o assunto é a fila de espera. Mais de três mil pessoas aguardam por um novo órgão. A procura maior é por um rim. Até conseguir uma pessoa compatível para doação, o paciente precisa se submeter a longas sessões de hemodiálises. Um tratamento sempre doloroso.

Lidiane Maria da Silva tem 30 anos e passou a ter insuficiência renal quando estava grávida de Davi. Agora, já faz dois anos que ela precisa fazer sessões de hemodiálise três vezes por semana. A mãe dela, dona Amélia Maria, também faz hemodiálise, há dois anos e meio.

Mãe e filha estão na lista de espera por um transplante de rim. É a única chance de sair da hemodiálise. Lidiane conta como se sentiu quando soube que também teria de iniciar o tratamento. “Eu tive vários sintomas e não me interessei. Pra mim foi um baque. Eu disse: meu deus, vou cair também na hemodiálise, foi uma pontada mesmo. Tenho que pensar também no meu filho. Aí comecei a me interessar pela hemodiálise, eu disse: não, vou tentar sobreviver enquanto aparecer o transplante”, lembrou a paciente.

Dona Amélia diz que quase sempre passa mal nas sessões de hemodiálise que chegam a durar quatro horas e deixam os pacientes exaustos. “Antes, eu tinha medo de ficar na máquina, de morrer lá no transplante, mas agora eu tenho fé em Deus de voltar. Se for a vontade de Deus, né? Mas eu peço todo dia a Deus pra aparecer um rim pra mim”, disse.

A família ainda tem outra pessoa que teve complicações nos rins. Célia Maria dos Santos Calado, irmã de dona Amélia, há seis meses passou pela experiência do transplante. Depois de ter sofrido muito com as sessões de hemodiálise, ela contou como se sente por ter conseguido se livrar do tratamento. “É o máximo. É a melhor coisa da vida, gente, é a melhor coisa […] É nascer outra vez. É mesmo que a gente ter ganhado a vida de novo”, explicou dona Célia.

Ela sabe dar muito valor ao transplante que conseguiu fazer. “Qualquer pessoa deveria doar, sabe? Uma vida que nasce né? Quantas pessoas não tá esperando uma doação? Até elas morrem porque não chega uma pessoa pra doar. E graças a Deus eu tive essa pessoa que doou pra mim. Agradeço a Deus e à família que deixou doar esse órgão pra mim”, comentou a transplantada.

A alegria que dona Célia teve, muitas outras pessoas querem ter. Para isso é preciso estar numa lista de espera. Hoje, mais de três mil pessoas aguardam uma chance de fazer um transplante. Quem coordena essa lista é a Central de Transplantes de Pernambuco.

Os funcionários recebem as notificações de todas as mortes encefálicas registradas no estado. Quando as famílias concordam em doar os órgãos de quem morreu, começa uma corrida contra o tempo para fazer os órgãos chegarem logo a quem precisa. Na enorme fila de espera, são 3.213 pacientes. A maior parte precisa de um rim, 1.855 pessoas. Em segundo, vem 1.224 pessoas que esperam por um transplante de córnea,126 precisam de um fígado, 5 de pâncreas e 3 de coração.

Diana Cabral é a gerente de captação de órgãos da central. Ela destaca que um único doador pode ajudar vários pacientes que estão na fila. “Ela pode ser doadora de seis órgãos aqui no nosso estado. Então, são duas córneas, um coração, os dois rins e o fígado. Então, uma só doação, a gente pode tirar até seis pessoas da lista. Se a gente tem uma média de cinco pessoas doando por mês, a gente vai tirar 30 pessoas da lista”, explicou a gerente.

O Imip é um dos hospitais de referência nessa área em Pernambuco. No ano passado, os transplantes de rins foram 120. Jacicleide da Silva Carvalho, da cidade de Timbaúba, tem 38 anos e faz hemodiálise há três anos. Ela estava emocionada porque foi chamada para o hospital para fazer o transplante. “Feliz […] Nervosa também. Vai dar tudo certo né? Em nome de Jesus”, falou.

Um dado preocupante é que ainda hoje, mais da metade das famílias dos pacientes que têm morte encefálica, se negam a fazer a doação de órgãos. “O maior ato de amor que uma família possa fazer é, num momento de dor como é o momento de uma morte, normalmente inesperada, essa família se propor a doar. Eu acho que isso reconforta tremendamente a família que doa e é o que a gente vê. Posteriormente quando a gente conversa com essas famílias, a felicidade por ter doado e por ter ajudado alguém é excepcional”, contou o médico Amaro Andrade.

De acordo com os médicos, o transplante de Jacicleide foi um sucesso. Ela agora está se recuperando na enfermaria do Imip. Ainda não se sabe quando ela terá alta. A próxima reportagem da série, que será exibida na quarta-feira (2) vai falar sobre os tipos de transplantes

Fonte: G1 PE

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