Embraer deve participar de licitação dos EUA

A Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) deverá participar de licitação promovida pelo governo dos Estados Unidos para a compra de 20 aviões militares. A indicação foi dada nesta sexta-feira pelo subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, durante encontro com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Na conversa, Burns mencionou que as “portas não estão fechadas” para o Brasil no que se refere à negociação de US$ 355 milhões para a compra dos aviões.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes, considerou “positivo” o tom da conversa entre Patriota e Burns e disse que o subsecretário americano destacou o “novo momento bilateral que vivem o Brasil e os Estados Unidos”. Segundo o embaixador, Burns reiterou que o “Brasil é efetivamente um parceiro estratégico” para os norte-americanos.

“O clima foi cordial e franco”, disse Tovar. O porta-voz negou que a decisão dos Estados Unidos de suspender o contrato de compra de aviões da Embraer tenha gerado mal-estar com o Brasil. “[A decisão norte-americana] não foi um ato hostil, não foi para fechar portas, disse Burns. Não há desconforto. Não existe desconforto. Existe a surpresa. A surpresa passou”, disse o embaixador.

Ontem Burns havia informado que existe possibilidade de ser revista a decisão que suspendeu a compra de 20 aviões militares modelo A-29 Super Tucano, com valor de cerca de US$ 355 milhões. Em nota, o Itamaraty informou ontem que recebeu com “surpresa” a decisão norte-americana. O governo dos Estados Unidos decidiu cancelar a compra no dia 28.

“O governo brasileiro recebeu com surpresa a notícia da suspensão do processo licitatório de compra de aviões A-29 Super Tucano pela Força Aérea dos Estados Unidos, em especial pela forma e pelo momento em que se deu”, disse o comunicado do Itamaraty.

A nota alertou que a medida pode atrapalhar as relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos. “[O governo brasileiro] considera que esse desdobramento não contribui para o aprofundamento das relações entre os dois países em matéria de defesa. O governo brasileiro continuará a manter diálogo com as autoridades norte-americanas sobre o assunto”, diz a texto.

“Problema Administrativo”

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse hoje que o subsecretário de Estado dos Estados Unidos, William Burns, considerou um “problema administrativo” o imbróglio que levou à suspensão da compra de 20 aviões Super Tucano da Embraer. Segundo Garcia, Burns assegurou que o problema “será resolvido”.

A negociação, que envolve US$ 355 milhões, foi suspensa na quarta-feira (29). A Força Aérea dos Estados Unidos suspendeu o contrato com a Embraer e a Sierra Nevada Corporation, parceira da empresa brasileira no negócio, que venceram a licitação, por problemas na documentação. Além disso, o contrato foi questionado na Justiça por uma empresa norte-americana derrotada na concorrência internacional.

“Ele [Burns] insistiu que foi um problema interno, administrativo, e que ele acredita que isso será resolvido. Não disse que a compra vai ocorrer porque o tema está sub judice, mas disse que a disposição do seu governo era aquela que inicialmente justificou a opção pelo Super Tucano;” narrou Marco Aurélio.

 

Fonte: Band.com

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