Invenções no currículo podem levar à eliminação de seleção e ação judicial

Fingir ser fluente em um idioma que não domina, dizer que tem um conhecimento que ainda não possui. Essas mentiras “inocentes” contadas no currículo podem prejudicar e muito as oportunidades e a confiança na postura profissional dos candidatos a emprego.

A mentira, no entanto, pode ser facilmente “detectada” em vários momentos da seleção. As horas mais comuns para perceber as mentiras são a entrevista e a entrega dos documentos. Segundo a consultora de seleção do Gi Group Doriléia Almeida, existem dois tipos de mentira bastante recorrentes, de acordo com o perfil do candidato. No caso das vagas operacionais, como auxiliar de serviços geral e atendente de telemarketing, é muito comum que pessoas que não concluíram o segundo grau (ensino médio) certifiquem, no currículo, a conclusão desse curso.

Para as vagas de padrão mais elevado, como as gerenciais, a mentira mais comum é a da fluência em idioma estrangeiro. “Já tivemos problemas com candidatos que diziam ter inglês avançado, por exemplo, mas desistiram da seleção na hora que descobriram que passariam por uma entrevista bilíngue”, exemplifica a psicóloga. A consultora adverte, que, em muitos casos, mesmo com a equipe de seleção conversando com os candidatos que cometeram o “deslize” no currículo, alguns profissionais voltam a cometer os mesmos erros. A empresa italiana GI Group realiza seleções em várias capitais brasileiras, para vagas operacionais e de gerência. Na filial recifense, na Ilha do Leite, os candidatos passam por várias etapas do processo seletivo.

Um possível motivo para a mentira dos candidatos, segundo Doriléia, é o medo de não participar das futuras fases do processo seletivo. “As pessoas acabam mentindo por medo de não serem chamadas para as outras etapas. Elas acabam achando que podem reverter a situação no momento da entrevista”, comenta.

Para deixar o currículo mais “turbinado”, o jovem João* inseriu um curso de Excel que ainda não havia concluído. No documento, também declarou ter conhecimento avançado em um programa da área de modelagem, mesmo sabendo que poderia estar “enferrujado” na atividade. Ele considera as inserções como “omissões” e não como mentiras. “Eu sei que se fosse selecionado para vagas com esse perfil, conseguiria dar conta. E é isso que importa. Além disso, acho que quase todo mundo já fez algo do tipo”, conta.

Esse tipo de “equívoco”, no entanto, pode gerar mais dor de cabeça do que a simples eliminação do processo seletivo. O advogado trabalhista Rômulo Saraiva adverte que quem mente no currículo pode ser responsabilizado judicialmente, nas esferas civil e criminal. A decisão de processar ou não o candidato vem da empresa contratante. “Caso o empregador se sinta prejudicado pela mentira, ele pode entrar com uma ação contra quem a praticou”, explica o advogado, acrescentando que o prejuízo pode ser de ordem financeira ou mesmo nas relações de confiança patrão-empregado.

Fonte: Folha-PE

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