RS fica com ‘ciúme’ de verba contra seca no NE e pede mais a Dilma

Agricultores do Rio Grande do Sul reclamam que o governo federal destinou pouca verba para combater a seca no Estado. Eles argumentam que o Nordeste, por exemplo, recebeu muito mais dinheiro -bilhões contra milhões. Com a estiagem, a produção de soja no RS deve cair pela metade.

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta semana a liberação de R$ 2,7 bilhões para combater a seca no Nordeste. No Rio Grande do Sul, foram usados até agora R$ 18 milhões, conforme a secretária-adjunta da Casa Civil do RS e coordenadora da Sala de Situação da Estiagem do Estado, Mari Perusso.

Além dos R$ 18 milhões, o governo federal depositou mais R$ 10 milhões na quarta-feira (25) para a Defesa Civil do RS e, na próxima semana, outra remessa igual deve ser feita para a instalação de poços e redes básicas de água.

Também há previsão de liberação de R$ 360 milhões do seguro agrícola. No Estado sulista, desde o fim de dezembro, 382 cidades decretaram situação de emergência devido à estiagem.

Os agricultuores consideram o valor insuficiente. Em alguns municípios, ainda falta água para o gado e até para o consumo humano. A escassez de chuva afetou diretamente a produção de grãos do Estado.

Segundo levantamento da Emater-RS (empresa de assistência rural), a colheita de soja neste ano será 50% menor em relação a 2011. O milho também apresentará queda, mas de 47%. O mesmo ocorrerá com o feijão, com diminuição de 25%, e o arroz, com menos 18% em relação ao colhido no ano passado.

As lideranças rurais planejam participar na próxima semana de uma reunião com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, pedindo mais recursos.

“A gente sabe que a situação no Nordeste é complexa, mas os nossos agricultores também estão passando por dificuldades”, afirma a coordenadora estadual da Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar), Cleonice Fabiane Back.

Ministério diz que verbas não podem ser comparadas por causa das realidades

Segundo o delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário no RS, Nilton Pinho de Bem, é difícil comparar o valor das ajudas devido aos diferentes cenários.

“Tenho acompanhado todas as regiões gaúchas que estão sofrendo com a estiagem. Mas o que está ocorrendo no Nordeste do país está acometendo mais gente e com uma severidade maior.”

Conforme o representante do ministério, as medidas emergenciais a serem realizadas no RS estão sendo feitas. O que se discute, agora, são novas modalidades e condições de crédito para os produtores.

Agricultores querem linha de crédito especial imediata

Uma das propostas a serem discutidas é o valor do financiamento para os produtor em uma linha de crédito especial. De acordo com a dirigente, no Nordeste, o auxílio está sendo mais alto e com subsídio garantido pelo governo.

“Nós precisamos imediatamente de mais recursos. Se foram destinados R$ 2 bilhões para o Nordeste, com bônus de 40%, também queremos o mesmo tratamento. Esse recurso viabilizaria novamente as propriedades no meio rural e evitaria mais uma grande preocupação nossa, que é a migração dos jovens do campo para a cidade”, declara.

O governo federal confirmou um crédito de R$ 10 mil com juros de 1% ao ano e carência de três anos para cada um dos produtores prejudicados. Os representantes do setor dizem que não basta.

“Não podemos aceitar isso. Precisamos que o governo assuma o risco e, no momento que o agricultor for pagar esse financiamento, que ele ganhe um desconto, um subsídio”, afirma a presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Humaitá (RS), Eni Back, que conta com 610 propriedades vinculadas.

Na audiência com o ministro em Brasília, os agricultores também pedirão o perdão da dívida de R$ 2.000, um crédito emergencial recebido por cada um em 2009 devido à estiagem naquele ano. Até o final de 2012, eles precisam pagar uma parcela de R$ 500.

Fonte: UOL

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