Torcidas organizadas não é sinal de violência

O futebol é um jogo que mobiliza a paixão de diversas pessoas espalhadas pelo mundo. Praticado em centenas de países, este esporte também conhecido como paixão nacional, desperta muito interesse em função de sua forma de disputa atraente. Embora não se tenha real certeza sobre os primórdios do futebol, historiadores descobriram vestígios de jogo de bola em várias culturas antigas. Esse jogo ainda não era o futebol, pois não havia a definição de regras como há hoje, porém demonstrava o interesse do homem por este tipo de esporte, desde os tempos antigos.

O primeiro jogo de futebol no Brasil foi realizado em 15 de abril de 1895, entre funcionários de empresas inglesas que atuavam em São Paulo. Os funcionários também eram de origem inglesa. Este jogo foi entre funcionários da Companhia de Gás e a Companhia Ferroviária São Paulo Railway. O primeiro time a se formar no Brasil foi o São Paulo Athletic Club (SPAC), fundado em 13 de maio de 1888. No início, o futebol era praticado apenas por pessoas da elite, sendo vedada a participação de negros em times de futebol.

Para homenagear os times, torcedores se agrupavam, surgindo assim às torcidas organizadas. A primeira torcida organizada no Brasil foi feminina. Exatamente no início das atuações do Atlético Mineiro, as mulheres iam aos estádios com bandeirinhas uniformizadas para acompanhar seus maridos. É obvio que nessa época a violência nem passava perto do estádio, o que significa que torcida organizada não é e não deve ser sinônimo de violência. Torcida organizada é definida como um grupo de torcedores que acompanham constantemente os times durante suas partidas no estádio, que se vestem e se comportam de maneira coletiva.

Hoje, em vários países, onde o futebol é considerado importante não apenas como esporte e lazer, mas também, na sua economia, essas torcidas chamadas de organizadas, transformam essa “organização” em atos de vandalismo que assustam a sociedade e dão muito trabalho as autoridades com esses atos indesejados. Em São Paulo e no Rio de Janeiro as Manchas Verdes e os irresponsáveis dos Timões, quando se encontram, a coisa é feia. O pau come e de um lado ou do outro, jovens são espancados e muitas das vezes, mortos. Em Pernambuco, as chamadas torcidas organizadas não apresentavam tanta violência em seus encontros, mas, no último domingo dia 15, após cenas de desordem e vandalismo, as “torcidas organizadas”, Inferno Coral, do Santa Cruz e Jovem, do Sport, se enfrentaram violentamente, ao ponto de serem proibidas de ir a qualquer estádio no Campeonato Pernambucano – Coca-Cola 2012. A medida foi tomada pela Federação Pernambucana de Futebol, responsável pela organização da competição, em reunião com a Polícia Militar de Pernambuco que atende à recomendação do Ministério Público de Pernambuco, pelo veto às organizações.

No clássico entre Sport e Santa Cruz, na Ilha do Retiro, torcedores do Santa Cruz fizeram um quebra-quebra nas instalações da área dos visitantes. Após o jogo, quase cem ônibus foram depredados, segundo informações do Grande Recife Consórcio de Transportes. Além disso, a morte de dois torcedores do Santa Cruz Futebol Clube, após o clássico desse domingo, sob investigação, pode ter relação com esses tumultos provocados pelas chamadas “torcidas organizadas” em Pernambuco.

Esse tipo de violência precisava ser combatido com políticas eficientes para que torcida organizada não seja transformada em atos de violência. O medo de ir ao estádio, nas grandes cidades, ainda ronda a maioria das pessoas.

GONZAGA PATRIOTA é Contador, Advogado, Administrador de Empresas e Jornalista, pós graduado em Ciência Política e Mestre em Ciência Política e Políticas Públicas e Governo e Doutorando em Direito Civil. É Deputado desde 1992.

 

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