Espaço do Leitor: O DETRAN de Juazeiro e a cidadania de 2ª classe

Sabemos que o nosso país padece de um baixo índice de desenvolvimento humano, bem como de uma baixa qualidade na prestação dos nossos serviços públicos, de maneira geral.

A condição de cidadão contempla uma gama de requisitos que sem os quais não se pode falar em cidadania, ou seja, ser cidadão pressupõe que o Estado possa garantir mínimas condições de atendimento aos indivíduos. A dignidade, a participação e o respeito à pessoa são pressupostos da condição de indivíduo cidadão. A essas condições, eu acrescentaria de livre vontade, as qualidades de coragem e senso de dever.

Como usuário do DETRAN de Juazeiro, sinto-me no dever de denunciar o tipo de “prestação de serviço” que aquele órgão dispensa à população.

Meu primeiro contato com aquele órgão se deu ao tempo da “retirada” da minha primeira habilitação, nos idos dos anos 2.000. Nesse momento pude ser vítima do grande descaso e arrogância com que ali somos tratados. Fiquei estarrecido quando presenciei, na sala de provas, o fiscal do exame bater boca com várias pessoas, fora outros problemas. Os absurdos continuaram ainda na hora de receber a habilitação, procurei o órgão na data marcada e não tive informação alguma, quando procurei a atendente para me informar sobre a entrega da CNH recebi a informação que a habilitação não havia chegado e que não tinham nenhuma previsão para a mesma, tudo isso em um clima de extrema arrogância.

Mais presentemente (2012), com muito relutar, tive que tratar da transferência de um automóvel nesse DETRAN. Pude perceber que em 10 anos nada havia mudado. O clima de descaso e desrespeito ao indivíduo ainda impera. Os funcionários da vistoria têm a absoluta certeza que estão fazendo um favor às pessoas. Estão sempre destratando, discutindo com as pessoas, escolhem quem querem atender primeiro e se o motor do veículo estiver “quente”, simplesmente dizem que não vão fazer nada, porque não são obrigados. Se chover, idem, param imediatamente o serviço, mesmo trabalhando em local coberto.

Sucessão de absurdos. Presenciei até mesmo uma funcionária gritando e esbravejando várias vezes com alguém (quase psicótica), reclamando que a água mineral era do seu setor e somente para os funcionários, não daria água a ninguém.

Nos acostumamos ao horror, presenciamos diariamente o desrespeito e a arrogância ocuparem o lugar da urbanidade e da decência no serviço público. É como se ali fosse um lugar paralelo, um limbo onde as condutas não precisassem responder aos códigos e aos preceitos administrativos. Olhamos com descrença e pavor a submissão do interesse público. Marginalizados, ambos, sociedade e “cidadão”.

Roberto Cesar F. da Silva, Servidor Público – Pós-graduado em Gestão Pública.

Fonte: Blog do Geraldo José

Blog do Banana

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